Goiânia – Gosto de bichos mais do que eu devia. Estou certo que isso não me faz bem. Quero adotar tudo quanto é cachorro que vejo na rua, odeio passarinho em gaiola, todas as galinhas que crio têm nome, além de risco zero de acabar em uma panela. Em casa, tenho cachorros e galinhas. E também dou comida para os passarinhos das redondezas comerem no meu quintal. Quando algum faz ninho em uma planta ou dentro de um lustre (o que acontece todo ano), a prioridade passa a ser zelar dos filhotinhos que ali estão até baterem as asas. O problema é quando as enfermidades dos animais chegam. Pior ainda quando vêm a óbito. Fico baqueado de verdade.
Uma de nossas galinhas que é preta se chama Macumba, por motivos óbvios. Para combinar, batizei o filhote recém-chegado de Maloca. Uma de nossas cachorras, a Lolla, o adotou. Uma graça. Ela cuidava do pintinho como se fosse sua cria. Hoje de tarde, o encontrei morto no quintal. Não sei se uma das galinhas implicou com ele, o excesso de zelo da Lolla ou o Toby (outro cachorro que está passando uns dias na minha casa) foi o responsável pela morte. E é até melhor que eu não saiba quem é o autor. Não vai me deixar com raiva do bicho. Fiquei super para baixo.
Certa vez, entrevistando para uma reportagem um militar da reserva do Exército, perguntei se ele já havia presenciado ou participado de cenas de tortura durante a ditadura. Ele negou. Questionei então como era feita a seleção do pessoal fazia esse serviço sujo. Ele respondeu: "os caras escolhiam aqueles que já eram maus de natureza, gente que atirava em cachorro ou gato na rua só para ver o bicho agonizar". Compreendi a relação instantaneamente. Quem sente prazer em ver um animal sofrendo, é capaz de não se incomodar e até achar legal espancar até a morte um ser humano. Definitivamente, esse não é meu time.