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Goianos heróis da mudança da Capital Federal

13.04.2020 - 10:49:51
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– Coimbra Bueno, ex-governador de Goiás, montou uma rádio, a RBC, só para defender da mudança da Capital para o Planalto Central
 
– Emival Caiado, deputado federal, se encarregou de pegar assinaturas ao Projeto de Lei que autorizou JK a construir Brasília
 
– Bernardo Sayão, o desbravador dos sertões, abrindo estradas para a integração nacional.
 
 
Ao se aproximar a data de aniversário de Brasília, que completa 60 anos, é importante lembrar a participação de goianos nessa batalha, e aqui destaco três.
 
A Rádio Brasil Central de Goiânia foi fundada por Jerônimo Coimbra Bueno em 3 de março de 1950. Ela surgiu como “Rádio Jornal Brasil Central S/A”. Seu principal objetivo era lutar pela transferência da Capital Federal, na época o Rio de Janeiro, para o centro do país. Seu slogan era “Rádio Brasil Central, Fundação Coimbra Bueno. Pela mudança da Capital Federal para o Planalto Central”.
 
Coimbra Bueno foi um engenheiro e político goiano, um homem de grande visão futurista, comprometido com a causa da transferência da capital. Ex-Governador do Estado de Goiás e ex-Senador da República, Coimbra Bueno dirigiu a construtora responsável pelas obras de Goiânia. Durante a campanha mudancista, muitos políticos e intelectuais goianos, como o professor Zoroastro Artiaga, escreviam cartas e artigos assinados para serem lidos nos programas da emissora.
 
O deputado Federal Emival Caiado também teve fundamental importância para a construção de Brasília e a mudança da capital para território goiano. Foi ele que se encarregou de pegar assinaturas de deputados ao Projeto de Lei que autorizou a transferência e garantir a aprovação desse instrumento legal, inclusive recusando aceitar a retirada de assinaturas forçadas pelos adversários da transferência da capital do Rio de Janeiro para a solidão do Planalto Central. Emival pertencia à UDN, partido de Carlos Lacerda, o maior opositor de Juscelino Kubitschek na mudança da Capital.
 
Vice-Governador de Goiás à época, o engenheiro Bernardo Sayão foi o desbravador do sertão, abrindo estradas, como a Belém-Brasília, a pedido de JK, para a integração nacional. “Ele foi tratado como o primeiro grande ícone de Brasília, a história perfeita do herói trágico”, como escreveu o jornalista Sérgio de Sá, neto de Bernardo Sayão, que acaba de começar um livro sobre essa figura emblemática do surgimento da cidade. Foi há 60 anos, quando nasceu o primeiro herói da construção de Brasília. E ele pagou caro por isso, morrendo cedo, aos 57 anos, de forma trágica, bem no meio da selva amazônica. E, por se tratar de Bernardo Sayão, foi uma morte épica. Esmagado por uma árvore gigantesca, há poucos dias dele e sua equipe de bravos homens concluírem a confluência das frentes de desbravamento norte e sul da rodovia Belém-Brasília, lá na fronteira entre o Pará e o Maranhão, no limite entre as regiões Norte e Nordeste. Parecia o fim do mundo, mas era o Brasil. O Brasil de Juscelino Kubitschek. Aquele distante 15 de janeiro de 1959 entraria para a história da cidade, do país.
 
*José Osório Naves é jornalista e escritor
 
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por José Osório Naves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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