Gabriela Louredo e João Unes
Goiânia – Na política de Segurança Pública adotada em Goiás, a repressão ao crime organizado e ao roubo de cargas merecem destaque, sendo combatidos com o emprego do serviço de inteligência associado à integração entre as forças (Polícia Civil, Militar e outras). Atualmente, o Estado ocupa o primeiro lugar no ranking nacional no enfrentamento às quadrilhas especializadas em roubo de carga, trabalho desenvolvido pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar).
É o que afirma o delegado geral da Polícia Civil do Estado de Goiás, André Fernandes Almeida, que assumiu o cargo há sete meses, em entrevista exclusiva ao Jornal A Redação. Como fatores positivos, ele aponta o alto índice de produtividade da corporação, com o aumento de operações, chegando a cerca de 700, quase o triplo em relação ao mesmo período de 2017; a criação de grupos e delegacias e o melhor aparelhamento da polícia com a entrega de novas viaturas. “Inicialmente, o Estado iria renovar a frota com 55 viaturas, mas graças a uma negociação, conseguimos 216 viaturas, trocadas de 30 dias pra cá”, comenta. Os veículos são locados.

(Foto: Esther Teles/A Redação)
“Conseguimos quase que triplicar a produção em termos operacionais de ações neste ano. Neste período, inauguramos três delegacias: Abadia de Goiás, Trindade e o 10º Distrito Policial, no Jardim Guanabara, em Goiânia”, diz.
Há cerca de duas semanas, a atuação das facções criminosas sofreu um duro golpe no Estado: a transferência de oito presidiários do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia para a penitenciária federal de segurança máxima localizada em Porto Velho (RO).
Investigações da Polícia Civil apontaram que os criminosos davam ordens de dentro da cadeia, sendo responsáveis por várias execuções do lado de fora, relacionadas em sua maioria ao domínio territorial pelo tráfico de drogas. “Essa foi uma medida de pulso, de coragem…Mesmo assim, foi solucionada e estamos fazendo um acompanhamento diário nas lideranças dentro do sistema. As facções criminosas já estão sendo combatidas em Goiás. Na minha visão, a única fórmula que pode anulá-las é a retirada do patrimônio deles, é apreender tudo o que é patrimônio oriundo da lavagem de dinheiro. Não é fácil porque tem uma questão legal que precisa ser aprovada”, analisa.
De acordo com André, Goiás montou um esquema de blindagem contra o crime organizado. “A grande blindagem do Estado de Goiás em relação a isso é o fortalecimento da integração, o fortalecimento da delegacia especializada e a existência do laboratório de lavagem de tecnologia contra a lavagem de dinheiro. Nós temos tudo isso. ”, detalha. Sob a gestão dele, acrescenta, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) teve sua equipe de policiais ampliada, com quatro delegados, podendo investigar até oito casos simultaneamente.
O delegado geral afirma ainda que o serviço de inteligência é fundamental para a prevenção de crimes. “Conseguimos evitar a ação de uma quadrilha que tentaria isolar o presídio de Formosa para resgatar presos perigosos, chefes de grupo de assalto a banco e conseguimos dentro da própria Secretaria antecipar isso. Os criminosos foram presos já em deslocamento em Brasília pela polícia de lá. Foram apreendidos uma caminhonete blindada, grande quantidade de explosivos, dez fuzis, munição, radiocomunicadores, coletes, entre outras coisas”, exemplifica.

(Foto: Esther Teles/A Redação)
Combate ao roubo de Cargas
Outro exemplo considerado exitoso é a Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), que alçou Goiás ao primeiro lugar nacional no combate a esse tipo de crime.
“O Estado de Goiás está no centro do país, com uma região geográfica de fácil acesso para qualquer outro Estado. A nossa delegacia de cargas é a campeã das delegacias especializadas, primeiro lugar nacional, é exemplo de atuação por causa da integração. Lá nós temos a inteligência da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal trabalhando juntas”.
Por meio dessa estratégia, algumas modalidades criminosas vêm apresentando tendência de queda. “Todas essas situações de furto e roubo de cargas, temos ciência do modus operandi da quadrilha e conseguimos dar resposta. Algumas modalidades, como roubo de carga de cigarro, não tivemos nenhuma ocorrência esse ano. Casos de roubo de combustível também não estão ocorrendo. A Delegacia de Cargas fez uma operação agora na qual foram presas 29 pessoas", destaca.

(Foto: Esther Teles/A Redação)
Crimes cibernéticos
O 10º Distrito Policial de Goiânia, situado no Jardim Guanabara 2, em Goiânia, passou a ser a primeira delegacia de Goiás especializada na investigação de crimes virtuais. Após ser reformada, a unidade foi entregue neste ano.
Com o objetivo de se pautar pelo marco civil da internet, a delegacia combate crimes na web, como extorsão mediante divulgação de fotos íntimas, sequestro de dados de empresas, injúria racial, dentre inúmeros outros casos. Para André, a unidade representa um avanço. "Já está atuando em defesa das vítimas". O delegado-geral aproveita a oportunidade para alertar principalmente as mulheres sobre os casos que vêm sendo registrados com frequência nas últimas semanas.
“Hoje estamos com uma quadrilha sediada na África e que de lá provoca a vítima a enviar imagens dela nua. A partir do momento em que ela envia, a pessoa que está do outro lado começa a extorquir a vítima. Isso está acontecendo muito aqui em Goiânia”, atenta. Segundo ele, foi registrada ocorrência de uma vítima que já pagou até R$ 100 mil após ser ameaçada. Ele pede às mulheres que não divulguem fotos íntimas na internet.