Catherine Moraes
Em todo o Brasil, 36 mil pessoas integram a fila de espera por um transplante. Hoje o país ocupa a 3ª posição mundial no número de transplantes e realizou 21 mil no ano de 2010. Em 2011, o crescimento nacional já é de 14% comparado ao ano passado. Em Goiás, a situação também melhorou e, até o fim de agosto, o número de procedimentos foi de 616, superior aos 530 transplantes realizados no Estado em todo o ano de 2010.
No Estado, o transplante de córnea aparece no topo da lista, com 511 casos, seguidos pelo de rins (75) e medula óssea (30). Mas, segundo o coordenador-geral da Central de Transplantes, Luciano Leão, 1.600 pacientes ainda esperam na fila por uma córnea e 350 por um rim.
Nesta terça-feira (27/9) é comemorado o Dia Internacional de Doação de Órgãos e Tecidos e as ações são realizadas em todo o país. A data foi escolhida por ser a mesma em que é celebrado o dia de São Cosme e São Damião, os santos médicos gêmeos, considerados padroeiros da medicina e dos transplantes.
Programação
Em Goiânia, a Central de Notificação, Distribuição e Captação de Órgãos do Estado (CNCDO/GO) irá realizar ações no sentido de conscientizar a população para a importância do ato. No Araguaia Shopping, os técnicos da Central de Transplantes vão ministrar palestras, distribuir material informativo, tirar dúvidas e fazer orientações entre 8h e 18h.
Dificuldades
De acordo com o coordenador-geral da Central de Transplantes, Luciano Leão, três dificuldades impedem o transplante. Em primeiro lugar, falta comunicação entre as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e a central quando ocorrem casos de morte encefálica. Com isso, acontece o segundo problema: o coração dos pacientes para e aí não é possível o procedimento.
Em terceiro lugar, Luciano aponta a resistência das famílias em doar órgãos e tecidos. “Não adianta nem a pessoa registrar em cartório a vontade de ser um doador. Se a família não permitir, a ação é inviável. No ano passado 40% dos familiares negavam a doação, hoje isso ocorre com apenas 20% . Já é um passo positivo.”
No Serra Dourada, neste domingo (25/9) uma faixa com a frase ‘Amar é Doar. Doe vida, doe órgãos’ foi colocada em campo antes do jogo do Atlético Goianiense contra o Palmeiras. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Federação Goiana de Futebol, o Ministério Público de Goiás e a Central de Transplante. O objetivo é mobilizar a sociedade e salvar vidas.
Desafio
No Estado são realizados hoje transplantes de rim, córnea, medula óssea, pâncreas e enchertos usando ossos. Luciano Leão afirma que em breve a Santa Casa de Misericódia de Goiânia deve realizar transplantes cardíacos. Embora transplantes como o de rins, córneas e fígado já sejam mais comuns na maioria das regiões do país, procedimentos mais complexos, como o transplante de pulmão, só são realizados em três estados: Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul.
O coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Héder Borba, considera que o desafio atual é interiorizar as cirurgias de transplante, hoje muito concentradas em algumas capitais. “Um problema que tem de ser aperfeiçoado é a distribuição irregular de equipes. Há um esforço deste governo de interiorizar o transplante. Colocar [o transplante] mais próximo dessas regiões em que o sistema de saúde é menos desenvolvido, como o interior, o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste.”
Investimentos
O governo federal deverá aumentar em cerca de 50% o investimento na área de transplantes em relação ao ano passado, que ficou em R$ 2 bilhões, informou neste domingo Héder Borba, ao participar de uma caminhada e um jogo de futebol na Praia de Copacabana, em apoio à campanha nacional de doação de órgãos. Segundo ele, o valor exato do investimento será anunciado nesta semana pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no lançamento da campanha “Seja um doador de órgãos, seja um doador de vidas”.
Na última década, o Brasil triplicou o número de doadores, passando de 3 mil por milhão de pessoas para 10 mil doadores por milhão. Mas a meta, segundo Borba, é chegar a 2015 com 15 mil doadores por milhão de habitantes e, para isso, é fundamental a conscientização da sociedade. “Não basta que o sistema esteja organizado, é preciso que a população queira doar os órgãos. Trata-se de um gesto voluntário e altruísta de cada ser humano”.
Profissionais
O coordenador-geral da Central de Transplantes, Luciano Leão afirma que nem todo cirugião pode realizar um transplante. É preciso que tanto o profissional quanto a instituição sejam cadastradas no Sistema Nacional de Transplantes. Com o investimento do Ministério da Saúde, ele acredita que o número de profissionais interessados aumente.
Doação sem riscos
Achar compatibilidade não é fácil. O doador vivo pode doar um rim, parte do fígado, do pulmão, do pâncreas e da medula óssea – essa última pode ser feita até por crianças e mulheres grávidas por não acarretar riscos. Do doador falecido, depois de constatado o óbito e com o consentimento da família, podem ser extraídos o coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, pele, ossos e válvulas cardíacas.
Serviço:
Campanha de Incentivo a Doação de Órgãos em Goiânia
Data:27 de setembro
Horário:das 09h às 18h
Local:Araguaia Shopping – Rua 44, n°399 Setor Norte Ferroviário
Com informações da Agência Brasil