Tainá Borela
Goiânia – No comando do governo de Goiás até 14 de janeiro, o governador em exercício José Éliton (DEM), concedeu em seu primeiro dia no poder uma entrevista exclusiva ao jornal
A Redação (leia mais aqui) e não poupou críticas aos governos petistas. Éliton diz que o ex-presidente Lula (PT) não aprofunda o debate políticos, que o País não cresce há dois anos com Dilma Rousseff (PT) no poder e que o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), diz ''bravatas, que não contribuem em nada para a democracia'', referindo-se à recente polêmica entre o Paço e a Saneago.
Tranquilo, Éliton disse que não é hora de responder às provocações da oposição. ''Temos foco. O debate nós vamos deixar para o embate eleitoral. Tem muita gente que quer fazer política para a plateia''.
Sobre a aproximação com o governador Marconi Perillo (PSDB), o democrata afirma que é uma "relação de amizade e de admiração política'', mas que nem sempre compartilha das mesmas ideias políticas do tucano. Uma das princiapais forças do DEM, José Éliton destaca a importância do partido na aliança do governo e afirma que comunga pensamentos políticos com Ronaldo Caiado (DEM), mas que "essa identidade partidária pode ter reflexo também em outras agremiações políticas''.
Leia abaixo entrevista com José Éliton
A Redação – Como é o papel do senhor de mediar os conflitos de interesse do DEM com o governo de Marconi Perillo? Já que é de conhecimento geral que há uma indisposição entre Ronaldo Caiado e Marconi Perillo.
José Éliton – Não tenho papel de mediar o interesse de ninguém. Nem do Caiado, nem do governador. Meu papel é defender os interesses do povo goiano. É claro que no campo político a gente constrói pontes e discute relações partidárias. O DEM tem uma presença muito forte no governo, com deputados, senador e secretários de governo. As relações individuais entre políticos eu me abstenho de qualquer comentário sobre elas. Até porque não cabe a mim interferir na relação de atores políticos que tenham qualquer tipo de desencontro.
AR – No último ano, Marconi se aproximou muito do senhor. O governador faz questão de citar o seu nome em todo evento político. Essa aproximação faz parte dos planos do projeto político de Marconi para 2014?
José Éliton – Não posso responder pelo governador. Tenho um respeito profundo por ele, uma relação de amizade e admiração com a trajetória política dele. Temos um relacionamento de compartilhar as dificuldades do governo. Acho que esse é um papel que acabou a aproximar o governador da minha pessoa. Isso não pressupõe unanimidade de pensamento. Às vezes, tenho posições diferentes a do governador Marconi Perillo. Discutimos e fazemos um trabalho em conjunto. As referências do governador à minha pessoa refletem a sua generosidade e caráter. Fico muito feliz e honrado. Agora se essas questões refletem em projetos políticos furturos não é hora nem de discutir sobre isso. Estamos focados na administração do governo.
AR – Esse processo de aproximação do senhor com Marconi Perillo o afastou de Ronaldo Caiado?
José Éliton – De jeito nenhum. Eu não me sinto afastado do Ronaldo Caiado. Comungo com ele em diversas posições ideológicas. Divergimos apenas em determinadas questões de visão política. O que também é natural. Não nos impede de ir para o debate e para a discussão. O que importa é o respeito que tenho por ele. Reconheço no Ronaldo Caiado um dos parlamentares de excelência de Goiás no Brasil. Temos divergências conceituais em determinadas ações. É uma questão natural assim como as questões de natureza partidária. Muito se publica que eu vou sair do DEM, essa também é um questão que vai se resolver naturalmente a partir de um projeto que seja identificado com o pensamneto político que eu tenho. Defendo teses que são comuns com os democratas. Mas essa identidade partidária pode ter reflexo também em outras agremiações políticas. O que não concebo é um partido político sem identidade ideológica, sem bandeira, sem teses.
AR – O prefeito Paulo Garcia teria ficado ofendido com uma possível interferência do governo do Estado nas eleições da Câmara Municipal, porque logo após a eleição do peemedebista Clécio Alves, o petista tuitou "Agora é a hora da onça beber água". Foi uma ameaça a vocês?
José Éliton – Acho que o governador já respondeu isso. Marconi não vai proibir os parlamentares de discutir decisões internas. As questões devem ser discutidas no parlamento. O poder Legislativo é independente. Não cabe nem ao governador nem ao prefeito interferirem. Agora, as bases políticas que integram cada componente do parlamento podem naturalmente discutir essas questões. Ou será que os partidos de oposição na Assembleia Legislativa não discutem suas estratégias? Isso é parte da democracia. Mas o que o prefeito tuitou é típico do pensamento do Partido dos Trabalhadores: querer ter a hegemonia, o pensamento único. Isso é pernicioso ao Brasil e à democracia. Um país que não tem oposição, que não tem debate, é um país que não cresce. Na história recente do Brasil vemos que o país não cresce há dois anos. Ao ponto de um jornal do exterior colocar a presidente Dilma como uma rena de Natal numa alusão à ausência de crescimento na economia brasileira no final do ano. O Brasil precisa ser discutido como mais profundidade. Esse tipo de bravata do prefeito não contribui em nada para a democracia.
AR – O governador Marconi Perillo sai de cena no momento quem que o debate político se acirra em Goiás com declarações de Paulo Garcia e Iris Rezende sobre a Saneago. O senhor pretende entrar nessa questão?
José Éliton – Infelizmente, muitas pessoas não desarmam palanque. Nós temos que entender que a eleição é o momento onde os partidos políticos se enfrentam, passada a eleição cabe aos vencedores colocar em prática seu plano de governo. E aos que perderam o pleito fazerem o papel de fiscalizadores. Mas isso não pode ter como objetivo politizar todo e qualquer assunto sem ter uma discussão profunda sobre o tema. O cidadão que é beneficiado pela água tratada em sua torneira, interessa a ele pagar tarifa para A ou para B, se a tarifa é igual? O que interessa à população é a prestação de serviço. Nós temos compromisso com o cidadão goiano de fazer a universalização da distribuição de água e no tratamento de esgoto. Esse tema, da forma que querem levar, tem apenas o viés político e não o viés técnico. Prefiro um debate mais aprofundando.