Goiânia – O imbróglio que envolve a paralisação dos garis do Rio de Janeiro induz a uma reflexão interessante: poucas categorias têm um poder tão grande para uma greve quanto a dos limpadores de rua.
A ausência dos serviços prestados por eles consegue instaurar tamanho desconforto na cidade que é preciso que o poder municipal rebole para dar conta das exigências pautadas. Poucos dias de paralisação já torna a situação insustentável. Talvez nem seja preciso dias. Quem sabe algumas horas sem a execução do trabalho já possa mostrar o quão necessários são esses profissionais.
Não é grande a lista de categorias que contam com tamanho grau de necessidade e urgência na resolução da greve. Motoristas de ônibus têm esse poder. Eles travam a cidade quando optam pelo movimento paredista. Policiais também estão nesse patamar. A sensação de insegurança que pesa sobre a população quando a mesma tem ciência de que não pode contar com os serviços de segurança pública acaba com o bem estar de qualquer cidade. Devem existir outras categorias, mas não são muitas mais que integram esse seleto rol.
No caso específico da limpeza urbana, além do evidente desconforto de conviver com pilhas de lixo em frente cada residência ou estabelecimento comercial, existe o agravante no tocante à saúde pública. Nem preciso dizer o quanto a procriação de animais que não queremos em nossas redondezas o acúmulo de lixo pode facilitar.
Entrando na pauta do Rio de Janeiro, as reivindicações da categoria me parecem mais que legítimas. Uma pergunta simples para você, nobre leitor: qual seria a remuneração justa para quem vive carregando lixo ou varrendo ruas? Pense um pouco e responda. Independente do valor que você respondeu, tenho certeza que é mais que os R$ 1.224,70 que esses trabalhadores receberão a partir de abril, já somado os 40% adicionais de insalubridade.
Sei que o caixa para quem trabalha no setor público é sempre apertado e que a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite estripulias. Mas não dá para dizer que os garis estão sendo ambiciosos ou pedindo demais quando vemos tal valor.
Por outro lado, as táticas mais agressivas que chegaram à violência na Zona Sul carioca por parte dos grevistas perante os trabalhadores que, com medo da demissão, optaram por trabalhar são condenáveis. A adesão ao movimento sempre deve ser pela força do argumento, nunca pela força da porrada.
Enquanto isso, após o carnaval, o Rio de Janeiro continua sujo. E fedido.