Goiânia – Há muito tempo o mundo dos videogames deixou de ser coisa de criança. Os consoles atuais, que inclusive estão perto da obsolescência diante de novas gerações, elevaram esse tipo de entretenimento a outro estágio – tanto que os títulos ditos infantis são exceções. Mas há momentos em que a indústria se supera.
E é nesse patamar que Grand Theft Auto V desembarcou nas prateleiras das melhores, e piores também, lojas do Brasil. A mais nova aventura da franquia, carinhosamente chamada pelos fãs de GTA, vai onde nunca um game foi e ganha status de arte.
Assim como Andy Warhol, nas artes plásticas, Michael Jackson, na música, e Quentin Tarantino, no cinema, os irmãos Sam e Dan Houser tornaram-se ícones da indústria pop com a série.

(Imagem: divulgação)
Os números assustam. Foram investidos cerca de 270 milhões de dólares na produção e divulgação de GTA V. No primeiro dia de vendas, o game faturou mais de 800 milhões de dólares. E tem tudo para superar Call of Duty: Black Ops 2, que passou do 1 bilhão de dólares em 15 dias e era o grande fenômeno do gênero.
Se fosse um filme, GTA V entraria, em um dia, na lista dos 40 filmes que mais faturaram em todos os tempos. Com o preço médio de 65 dólares no eBay, significam mais de 12 milhões de cópias, 20% do que Thriller, o álbum mitológico de Michael Jackson, vendeu em 30 anos.
Como bem observou o presidente da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) e professor do curso de Design de Games da Universidade Anhembi Morumbi, Ale McHaddo, em entrevista ao site da revista Veja, se Tarantino fizesse jogos e não filmes, GTA seria um game com sua assinatura.
Os elementos tarantianos estão todos lá: violência estereotipada, diálogos desconcertantes, mulheres voluptuosas, protagonistas de caráter duvidoso, ação politicamente incorreta. Com a vantagem de que, ao contrário do cinema, em GTA é o próprio jogador que define o roteiro entre as centenas de possibilidades possíveis.
O impacto de GTA é tão grande que é impossível abrir qualquer site de notícias ou de tecnologia e não se deparar com alguma reportagem sobre o game. É mídia espontânea de fazer inveja ao finado Steve Jobs.
O mundo aberto da cidade nem tão fictícia de Los Santos proporciona tantas horas de imersão, que, se você conhece algum viciado em jogos eletrônicos, não estranhe se ele for abduzido pelos próximos dias.