*A Redação
O presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincon, prestou depoimento, nesta terça-feira (28), à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga supostas irregularidades do último ano de mandato do ex-governador Alcides Rodrigues. Ele afirmou que há indícios de irregularidades nas contas dos últimos 60 dias da gestão anterior.
Jayme Rincon disse que o Sistema de Programação Orçamentária e Financeira (Siof net), que é o banco de dados do sistema Transparência Goiás, esteve fora do ar diversas vezes em novembro e dezembro de 2010. De acordo com ele, “por determinação do secretário da Fazenda, a superintendente do Tesouro retirava o sistema Siof net do ar para fazer alterações e ajustes na base de dados sem o conhecimento dos usuários e sem registro de login”.
Jayme Rincon afirmou que os responsáveis pela área de informática da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) à época eram Marco Antônio Brener Oliveira e Priscila Tenuda Meira. De acordo com o gestor, ambos servidores somente cumpriram as ordens de desativar o servidor temporariamente. O presidente da Agetop informou que os e-mails com as solicitações estão registrados nos bancos de dados da própria Sefaz.
“Exemplos dessa manipulação encontram-se na planilha de nº 3, onde consta um saldo disponível referente a Convênios da Saúde e Educação no valor de R$ 132.028.042,28, que foram apropriados ficticiamente para cumprir os limites constitucionais. Quando assumimos a Agetop, no dia 3 de janeiro de 2011, o sistema Siof net estava fora do ar, permanecendo inacessível até o dia 4 de janeiro, com o objetivo de impedir qualquer ação do novo Governo”, afirmou o presidente da Agetop.
Jayme Rincon diz que se trata de fato de grande gravidade, uma vez que o Siof net é o sistema que controla toda a movimentação financeira e orçamentária do Estado de Goiás. O gestor diz que a ação é indício de que havia uma tentativa deliberada de dificultar a ação do novo governo.
“Com o Siof net desligado, é possível intervir sem deixar rastro. Normalmente, isso é feito com login e senha, que registram o responsável pela alteração. Não é o que ocorreu. Assim, é possível retirar do sistema faturas pagas e reajustar ou incluir valores. O céu é o limite”, disse.
Jayme Rincon informou que somente soube da ação de interrupção do sistema às 19h30 de segunda-feira, 27 de junho. De acordo com ele, até o momento de sua oitiva na CPI, o governador Marconi Perillo não tinha ciência da informação prestada aos deputados-membros.
“O Siof abriga um amplo universo de informações. Seria preciso, em condições normais, de uma lupa para encontrar desvios ou alterações feitas com intuito próprio. O sistema foi desligado várias vezes ao longo dos últimos 60 dias do governo anterior”, afirmou o gestor.
*Com informações do site da Asssembleia