Lis Lemos
Comer alimentos saudáveis e mudar hábitos não é tarefa fácil para adultos. Para crianças, requer ainda mais atenção. A nutricionista Juliana Tolêdo de Faria explica que os pais costumam procurar orientação profissional quando os filhos estão com sobrepeso, obesos, ou para “aprender a comer”. Por aprender a comer entende-se fazer mais uso de frutas, verduras, legumes, diminuir doces, refrigerantes e gorduras. A equação parece simples, mas colocá-la na prática dá trabalho.
Para auxiliar as crianças a comer saudavelmente, a nutricionista garante que é importante a presença dos pais. Para ela, os hábitos e exemplos da família influenciam as crianças e é necessário que os pais observem não só a alimentação dentro de casa, como na escola, por exemplo.
Doces e alimentos gordurosos são gostosos, mas não devem ser a única fonte de prazer para as crianças. “É preciso achar prazer em outros sabores e em outras atividades”, afirma Juliana Tolêdo. A nutricionista reitera a importância de aliar a alimentação saudável com atividades físicas e reduzir a permanências dos pequenos na frente da televisão e do computador.
A professora da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG), Estelamaris Tronco Mônego, afirma que o uso de alimentos tradicionais, como arroz, feijão é cada vez menor. “Se come menos ainda frutas e verduras e muito mais doce, refrigerante e comidas prontas”, defende.
A professora participa de orientação alimentar em escolas da rede púbica da Capital e garante que para mudar os hábitos alimentares é preciso envolver não só as crianças, mas principalmente, os pais e também os professores. “Pai e mãe que querem ter filhos saudáveis têm que dar o exemplo. Eles querem estimular as crianças a comer frutas e verduras, que muitas vezes eles mesmos não gostam e nem compram”.
Dietéticos
Muito mais importante que encher a criança de opções diet, como refrigerantes, gelatinas, iogurte, é ensiná-la a comer alimentos in natura. Juliana afirma que a maioria dos adoçantes não é recomendada para criança, as exceções são a sucralose e a stévia. “Não adianta dar gelatina diet depois do almoço para a criança que precisa reduzir o peso. O melhor é diminuir aos poucos a quantidade de comida e oferecer uma fruta”, defende a nutricionista.
A professora Estelamaris Tronco também não defende os alimentos diet como os mais indicados para os pequenos. “Eles não são proibidos, mas não são indicados, a não ser em caso de criança diabética”, afirma. Para ela, o melhor, mais uma vez, é trocar os dietéticos pelos alimentos naturais. “Dieta de criança não pode ser a mesma de adulto”, finaliza.
Criança inapetente
A funcionária pública Fernanda Ribeiro corta um dobrado na hora de alimentar a pequena Laura, de 4 anos. A menina não gosta de verduras e frutas e na hora das refeições a mãe recorre às “chantagens”. “Falo para ela qu se não comer, não vai brincar, ou não vai ter sobremesa”, revela. No entanto, Fernanda conta que a escola tem sido uma aliada, já que todo dia as crianças são obrigadas a levar frutas para o lanche.
Laura não toma refrigerante, apenas suco. Fernanda garante que os sanduíches são raros na alimentação da pequena. Além disso, ela procura não ter muitos alimentos calóricos, como biscoitos recheados em casa. “Já penamos bastante até descobrir como lidar com isso, mas gora já descobrimos do que ela gosta mais”.