Essa fauna louca que habita a internet está cada vez mais engraçada. Por motivações profissionais, passo muitas horas do meu dia conectado ao mundinho que os humoristas do Hermes e Renato genialmente batizaram de cu-d’água. Estar nas redes sociais é para mim, antes de tudo, obrigação. Como bom pau mandado que sou, acompanho tudo, monitoro tudo, falo minha groselha eventual e a vida segue – meu salário cai na conta, amortizo umas dívidas e torço para chegar o dia do pagamento do mês seguinte. Sabe como é, por dinheiro eu até trabalho, como genialmente disse meu amigo Márcio Jr.
É impressionante o quanto é comum profissionais não remunerados da groselha. Gente que passa o dia nas redes sociais sempre a postos para a tirada genial, o comentário infalível, o sarcasmo instantâneo, a curtida irônica, o compartilhamento pioneiro. Não ache que só jovens conseguem ter tamanha disposição. Embora os universitários sejam bastante frequentes nesse perfil que descrevi, independe de faixa etária. Gente de cabelo branco também pode estar nessa onda aí.
Um monte de gente mete o cacete em tudo pela internet. Na minha cabeça, na da Dilma, na do vizinho e inclusive na sua, nobre leitor. Com ou sem razão. Não importa. O lance é meter o pau a torto e a direito. Só que são galinhos de granja, que só encaram a briga quando tem uma telinha separando da vida real. Como diz Mano Brown, mas na rua não é não. O mesmo cara que destila ódio no teclado, quando lhe encontra em alguma ocasião, é um doce no trato. Mostra-se cordial ou humilde. Não tem a postura agressiva que banca na rede. E não faço a mínima ideia do que o motiva para comportamento tão dúbio.
Imagino que seja mais simples ser durão quando não tem o olho no olho. O contato humano sempre é mais complexo que aquele intermediado pela máquina. Por isso que no exército os soldados mais valorizados são aqueles que, como diziam os Aliados na Segunda Guerra Mundial, “vão ver se o olho do alemão é azul mesmo”. Apertar um botão e mandar um míssil é mais fácil, dá uma higienizada naquilo que é dramático. Ir lá e matar o inimigo vendo o desespero nos olhos do cara é mais duro. Assim como, naturalmente em dimensão bem menos tensa, falar mal de alguém pela internet é mais de boa que no tête-à-tête.
Além disso, falsidade sempre foi algo comum no comportamento humano. Falar mal de alguém nas costas e tratar bem o cara quando o encontra é natural desde que o mundo é mundo. O problema é que com a internet aquela rodinha de fofoca ganha o mundo. E é bem mais fácil a vítima das maledicências chegar ao que você está falando.
Jorge Ben já avisava que prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Siga o conselho do mestre e volte a falar mal de quem você não gosta (ou só quer mesmo zoar) na rodinha íntima dos amigos. Não compensa criar inimigos por conta da piadinha tosca de internet. Se bem que nisso estou mais para o velho faça o que falo e não faça o que faço. Afinal de contas, tem tentação maior e algo mais divertido do que sair falando mal dos outros na internet?