Não há dúvidas que João Campos é um deputado federal que sabe de que lado está no jogo democrático. Inteligente que é, tem compreensão que representa fatia do eleitorado que compactua com as bandeiras que ele levanta. É um cara que está no Congresso porque suas posições reverberam em parcela da sociedade. Méritos dele.
E é nessa perspectiva que discordo frontalmente de sua proposta de criminalizar quem faz uso da prostituição no Brasil . O projeto de lei 377/2011 está em completa dissonância com o que países que admiro já fazem há anos, que é regulamentar o sexo pago por uma questão de saúde pública e seguridade social.
Deixar a prostituição como é hoje, em um esquema que todo mundo sabe que há mas não existem garantias para a pessoa que exerce a atividade, é um erro gigante. Trazer a prática para o controle do Estado, onde os profissionais possam ter direitos trabalhistas garantidos, acesso garantido a políticas públicas de saúde e tirar as pessoas da clandestinidade é o mais certo a fazer.
Uma parcela da sociedade tem dificuldade imensa de entender que, independente de seu Deus achar isso abominável ou não, as pessoas vendem sexo desde que o mundo é mundo. E como tem gente interessada em comprar tal produto… Então deixe que aqueles que você acha pecadores imundos acertarem as contas com o cara lá de cima. Não é só a Ele que cabe o julgamento? Pois então.
Nosso papel enquanto sociedade laica é oferecer apoio e colocar regras para a prostituição. Coibindo abusos, determinando procedimentos, preservando vidas. Sem moralismo, sem vangloriar nada. Apenas tendo clareza que o serviço sexual é prática rotineira em nosso país.
Aliás, com publicidade ostensiva, seja em painéis gigantes em movimentadas avenidas, seja nos classificados dos jornais impressos, seja na planfletagem no sinaleiro, seja nos mais variados sites da internet. Para aumentar as garantias de quem trabalha com venda de sexo, a criminalização é um caminho equivocado a ser trilhado.
E o brasileiro é um povo dos mais engraçados mesmo, né? Duas caras até mandar parar. Quando submetido ao olhar público, é conservador, defende a família e acha a prostituição um absurdo. Quando sai da esfera pública e entra na privada, é um consumidor voraz de pornografia, curte uma perversão e contrata profissionais do sexo para tudo quanto é tipo de fetiche. É preciso posar de moralista para aproveitar aquilo que gosta de verdade. Nem que seja um peitinho de fora na Sapucaí durante o carnaval.
Para finalizar, uma pergunta: qual seria o percentual real de congressistas que faz uso regular de prostitutas morando em Brasília? Hipocrisia sem limites. E o discurso de “tudo em defesa da família” continua de vento em popa…