Ao pedir um conselho a uma amiga sobre como agir em uma situação complicada, ela me responde: “Pague para ver. A vida não dá sinais, ninguém está seguro. Nada oferece garantia de felicidade ou tristeza. A única coisa que podemos fazer é lutar pelo que queremos e saber que, se não der certo, fizemos tudo o que podíamos”.
Pois é, a vida não oferece garantias. Trabalhamos de olho na promoção, esperando que cada hora extra e cada ideia brilhante oferecida sejam levadas em conta na hora de pensarem em nós como os mais dedicados, mas a empresa decide fazer uma reestruturação e somos incluídos na demissão em massa. Investimos num relacionamento com alguém que parece centrado, confiável, estável, disponível. Mas eis que o deveria ser fonte de aconchego e estímulo se torna uma prisão. Os dias passam arrastados porque tudo é absolutamente previsível. Até que um dia essa pessoa, que parecia tão dedicada e envolvida, resolve ir embora.
Escolhemos os destinos de nossas viagens com base em blogs, fotos e informações seguras de amigos que já foram até lá. Fazemos o mesmo roteiro que eles para não correr riscos. Daí chega um vendaval que destrói metade da pousada onde iríamos nos hospedar e fecha o aeroporto por dias a fio. Fazemos sacrifícios imensos para ter uma velhice segura e deixamos de consumir muito do que gostaríamos para conseguir pagar aquela previdência privada tão cara e atraente. Até que o banco para o qual pagávamos a tal previdência decreta falência e nossas economias seguem por água abaixo junto com ele.
Uma ode à tragédia anunciada? Pessimismo? Que nada, só uma coisa chamada vida, que nos surpreende a todo instante – para o bem ou para o mal. A gente teima em manter a ilusão do controle, acha que se cercando de supostas garantias financeiras e emocionais vai se proteger da vida, mas ela chega e nos atropela. Sem dó.
É por isso que minha grande meta para 2013 é não me colocar mais à frente da vida. Não quero impedi-la de seguir seu fluxo natural. Ao contrário: quero estar atenta e aberta para deixar entrar o que for preciso, e disponível para abrir mão do que não deve mais permanecer. Aceitar que vou ganhar e perder e que será sempre assim. Não quero mais temer riscos. Não quero mais ser guiada apenas pela prudência e pelo comedimento. Eles me ajudaram muito, mas não podem ser os únicos. Correr riscos faz parte. Precisa fazer.
Eu não sei o que a vida me reserva e isso não pode mais ser motivo de angústia, deve ser um estímulo para que eu possa continuar. A única garantia que tenho nessa minha jornada sou eu mesma. Porque no final das contas, é apenas comigo que conto. Se estiver feliz, só saberei se degustar cada momento de satisfação que aparecer, porque ninguém pode fazer isso por mim. Se me entristecer, só eu terei o poder de recolher meus cacos e seguir em frente.
Bem-vindo 2013, com todas as suas possibilidades. Cá estarei eu, mais preocupada em vivenciá-las em plenitude, que em compreendê-las. Na minha cabeceira estará o pensamento de Clarice Lispector: “Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei. Pergunte, sem querer a resposta, como estou perguntando. Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento”.