Como já foi noticiado neste jornal, Goiânia terá na sexta e no sábado uma mobilização para promover a limpeza da cidade. Chama-se Limpa Brasil. Quem quiser participar, basta munir-se de dois sacos de lixo (para não misturar resíduos úmidos e secos), chamar amigos e conhecidos e sair por aí dando uma de catador.
Chico Buarque, Marília Pera, Milton Nascimento e Tião Santos (retratado pelo documentário Lixo extraordinário) são as estrelas da campanha, que já passou pelo Rio e por Brasília. “Eu sou catador”, dizem. “Seja você também catador e ajude a limpar a sua cidade”, emenda uma voz em off, num dos vídeos de divulgação. Está aí um das ideias mais legais do Limpa Brasil: a valorização do catador de recicláveis, a quem a sociedade não dá muita importância (a não ser que esteja atrapalhando o trânsito com seu carrinho).
Só que o catador, para quem não sabe, é um dos maiores responsáveis pela reciclagem no Brasil. É ele que recolhe uns 90% de tudo que reciclamos por aqui, na estimativa considerada pelo Instituto Pólis, que há muitos anos trabalha com o tema em São Paulo. Isso tudo sem praticamente nenhum suporte da sociedade, que por sua vez tem um imenso retorno com a atividade desses profissionais do lixo.
A economia mais óbvia é a do lixão ou aterro sanitário, que ganha tempo de vida quando despachamos para lá menos quantidade de resíduos. E os lixões e os aterros são estruturas caríssimas – cada um a seu modo, financeiramente e ambientalmente – então prolongar seu funcionamento é um ótimo negócio. Com o trabalho do catador e o aumento da reciclagem, também economizamos água, eletricidade e matéria prima. E ainda tem gente que buzina!
Em Goiânia, aparentemente, a coleta seletiva oficial da Prefeitura levou a uma redução dos catadores que circulam pelas ruas – embora ainda seja comum vê-los na ingrata atividade de revirar lixeiras. Muitos deles se integraram a cooperativas e sua função é fazer a triagem do material que chega lá levado pelos caminhões, separando-o por categoria e eliminando o que não serve – como tudo o que chega muito sujo.
O defeito é que a Prefeitura faz pouquíssima divulgação para aprimorar a separação nas residências e nas empresas, e para incentivar mais pessoas a participar. A consequência, segundo me informaram, é que os centros de triagem estão com capacidade ociosa e, além disso, recebem muito resíduo sujo e inservível. Cadê as campanhas educativas? Tanto melhor é laurearmos o que vai bem (e é inegável que houve um avanço na cidade), e avaliarmos no que podemos melhorar, para então tomar medidas com esse objetivo.
Sexta e sábado serão uma oportunidade de pensarmos a esse respeito. Entre os principais objetivos da mobilização do Limpa Brasil estão a tomada de consciência da importância de gerarmos menos resíduos, cuidarmos cada um do seu lixo, reciclarmos mais e melhor.
A fim de garantir a participação de um contingente significativo de pessoas, os organizadores da versão local do Limpa Brasil articularam o envolvimento dos mais de 100 mil alunos da rede de ensino do município. Além disso, eles informam que todas as escolas municipais servirão como ponto de entrega voluntária dos materiais recicláveis, que serão doados para as 13 cooperativas inscritas na coleta do município.
Dessas escolas, 24 serão “ecopontos” – centrais a dar orientação e distribuir material de divulgação (veja a lista aqui). Também é nos ecopontos que, ao entregar os resíduos coletados, os participantes receberão como ‘prêmio’ ingressos para um show a ser realizado no domingo (28/08) no estacionamento do estádio Serra Dourada. Só não se sabe ainda que show será esse…
Para o dia a dia, podemos checar aqui os dias em que o caminhão da Prefeitura passa no nosso bairro. Se houver falha, reclame! Os telefones são: 156 ou 3524-8555.
Aqui no site da Prefeitura também é possível checar quais são os materiais que devem ser separados para a coleta seletiva, caso você tenha alguma dúvida. Nesse arquivo em pdf, há outra lista importante: o que não deve ser mandado pra reciclagem. É que, na prática, sempre aparecem uns materiais que não sabemos bem onde meter. É o caso de fotografias, papel carbono, lata de tinta e por aí vai.
E então, você também é catador?