Gabriela Louredo
Goiânia
– "O primeiro desafio que eu tenho é diminuir os custos de filiação das cooperativas". É o que afirma o engenheiro civil Luis Alberto Pereira, que será empossado na presidência do Sistema OCB/ Sescoop Goiás na próxima sexta-feira (26) para a gestão da instituição no período de 2019 a 2023. Atualmente, do total de 219 cooperativas registradas em Goiás, apenas 92 são filiadas ao sistema.
O valor da contribuição depende do porte, capital social e do patrimônio líquido da cooperativa. A taxa de manutenção varia de R$ 200 a R$ 3 mil mensais. A contribuição cooperativista pode chegar a R$ 125 mil por ano, além da contribuição sindical.
"Para algumas cooperativas essas taxas não são problema, mas eu imagino que para as pequenas cooperativas acaba inviabilizando a formalização. Nós queremos diminuir essa contribuição, mas sem perder a qualidade de serviço prestado. Então, nós vamos procurar outras fontes de receita através de prestação de serviço para continuar mantendo o nível de arrecadação", afirma.
Uma das alternativas, conforme adianta, será a cobrança de aluguel das salas do prédio comercial localizado no Jardim Goiás, em Goiânia, que pertence à instituição, além da criação de uma plataforma on-line de serviços e venda de apólices de seguros aos cooperados. "Temos um leque grande e podemos prestar serviço com menores custos. São ideias que a gente tem que discutir com o conselho e com os próprios colaboradores. Essa é a tendência, as cooperativas só vão prevalecer se tiverem fontes alternativas de renda", detalha.
Durante sua gestão, Luis Alberto também pretende adotar uma comunicação estratégica a fim de conferir maior visibilidade à importância do cooperativismo para o desenvolvimento da economia local. A ideia vai ao encontro da campanha nacional SomosCoop, que tem como meta melhorar o entendimento da sociedade em relação a esse modelo econômico.
"Muita gente imagina que é apenas uma associação de pessoas, mas, na verdade, por trás do cooperativismo existe uma ação social muito grande porque ela é capaz de movimentar a economia local onde (as cooperativas) estão sediadas, dar oportunidade de emprego para muita gente que talvez esteja fora do mercado de trabalho, ou por idade ou por falta de capacitação, e ainda promove uma justiça econômica muito grande. Pequenos produtores que, por si só, não teriam a capacidade de negociar um bom
preço para o seu produto, juntos, em cooperativa, conseguem um preço melhor", afirma.
Outro objetivo de Luis Alberto Pereira é "criar uma ambiência positiva para que a inovação chegue até as cooperativas de crédito". As cooperativas são classificadas em 13 segmentos de atuação (de crédito, agropecuárias, habitacionais, educacionais, temos trabalho, infraestrutura, de consumo, etc).
Sescoop
Criado em 1998, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) foi criado pela Medida Provisória nº 1.715, de 3 de setembro de 1998.Integra o Sistema S, é ligado às cooperativas e oferece cursos e assessoria ao setor.
Novo presidente
Luis Alberto Pereira é engenheiro civil, auditor fiscal aposentado, foi superintendente da Receita, do Tesouro Estadual e de Planejamento da Secretaria da Fazenda. Também foi secretário-executivo do Programa Produzir/Fomentar na antiga Secretaria de Indústria e Comércio (SIC). Começou sua atuação no cooperativismo em 2000, sendo fundador e vice-presidente do Conselho de Administração do Sicoob Engecred-GO, instituição da qual foi presidente por sete anos. Atualmente, é vice-presidente da central Sicoob Uni e vice-presidente do Sistema OCB Goiás.