Gabriela Louredo
Goiânia
– O novo presidente do Sistema OCB/Sescoop Goiás, Luis Alberto Pereira, afirma ser "totalmente contra qualquer corte no Sistema S". "O nosso sistema já é enxuto. O conselho é muito consciente desse papel, traçou uma austeridade muito grande e queremos defender a integralidade porque, além de ser pouco, é muito bem aplicado e queremos aplicar também na educação", afirma.
Em dezembro de 2018, a declaração de Paulo Guedes ''tem que meter a faca no Sistema S" causou polêmica entre os empresários. O ministro da Economia defendeu redução de 30 a 50% da verba.
Criado em 1998, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) foi criado pela Medida Provisória nº 1.715, de 3 de setembro de 1998. Sescoop, que integra o Sistema S, é ligado às cooperativas e oferece cursos e assessoria ao setor. O Sescoop é financiado pelo recolhimento de contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. Somente em 2018, foram mais de 75 mil pessoas beneficiadas com as 926 atividades realizadas pelo Sescoop-GO.
O volume arrecadado chega a cerca de R$ 10 milhões anualmente. "Usamos esse dinheiro para aplicar em formação profissional, só que o nosso sistema é novo e arrecada pouco, é de 1998". Os principais cursos ofertados são nas áreas de gestão, de governança, contabilidade, recursos humanos, atendimento, entre outros.
Gestão
Luis Alberto diz que durante a sua gestão irá lutar para conseguir evitar a penhora das cotas de cooperados em decorrência da execução de processos judiciais, além de fazer gestão para que os recursos do FCO possam ser administrados diretamente pelas cooperativas de crédito. Hoje, são os bancos oficiais que administram os recursos.
Ele ainda quer ampliar a movimentação financeira das cooperativas de crédito, hoje restritas a operações com prefeituras (Lei Complementar 161, de 4 de janeiro de 2018). "Hoje podemos trabalhar só com prefeituras, mas precisamos avançar mais, fazer gestão junto com a Frencoop, que é a frente parlamentar dos cooperativistas para podermos trabalhar com autarquias e órgãos públicos.", acrescenta.
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(Foto: Esther Teles/A Redação)
Estímulo ao cooperativismo
Luis Alberto também pretende firmar parceria com prefeitos para estimular e fortalecer o cooperativismo no Estado de Goiás e, desta forma, segundo ele, propiciar o desenvolvimento econômico e social de regiões carentes. "O cooperativismo é uma forma de aumentar o IDH das cidades. Rio Verde seria outra se não tivesse a Comigo. Morrinhos seria outra se não tivesse a Complem, ou seja, tem local que só existe um banco porque existe uma cooperativa de crédito", diz.
A ideia é mostrar aos chefes do Executivo Municipal que a cooperativa pode fomentar a economia local, gerar emprego para os próprios habitantes e os recursos são empregados no município, criando uma rede de empreendedorismo importante para a economia local. Para isso, é preciso identificar a vocação econômica de cada cidade, realizar estudos econômicos e, caso haja interesse da comunidade local, as entidades prestarão a assistência técnica necessária.
"A OCB pode dar todo suporte, ensinar como se monta uma cooperativa, como se faz uma assembleia, ensinar contabilidade, gestão e governança", finaliza.
Cooperativismo em Goiás
De acordo com dados do Censo do Cooperativismo Goiano, em 2017 havia 194.441 cooperados em Goiás. O setor gerou 11.108 empregos e R$ 9,63 bilhões em receitas naquele ano.