Não fui sorteado na primeira leva de ingressos para a Copa do Mundo de 2014 que a Fifa botou na roda para o público brasileiro. Fiz tudo conforme o solicitado. Preenchi o cadastro gigantesco, forneci todos meus dados da bandeira de cartão de crédito que patrocina o evento, queimei uma carta com o número mágico do meu protocolo, bati na madeira, fiz uma promessa de ida a Trindade para o Divino e ainda mandei uma quarta mandinga à minha escolha. Tudo em vão.
Alguns sortudos irão assistir a Seleção Brasileira em campo no próximo ano. Eu não. Escolhi justamente as duas partidas mais concorridas. O terceiro jogo da primeira fase do Brasil que será no Mané Garrincha em Brasília e a final no Maracanã no Rio de Janeiro. O lance será me contentar com o Galvão Bueno gritando na minha orelha.
Mas já que não deu para pegar o que queria, vou em qualquer um mesmo. Quero assistir ao menos um jogo da Copa, mesmo que sejam aqueles que não despertam atenção do admirador do bom futebol e muito menos causam extrema emoção, tipo um Honduras e Irã – clássico de grande tradição do popular esporte bretão.
Não sei se terei a chance de ver outra Copa do Mundo no Brasil. Se mantivermos a média de uma a cada 64 anos, certamente não estarei por aí quando a próxima chegar, no longínquo 2078. Então é bom aproveitar que agora é minha única chance de assistir o evento em meu país natal.
Se me perguntarem se acredito na idoneidade da Fifa em relação a esse sorteio, preciso dizer a verdade: não. A toda poderosa do futebol mundial não uma trajetória, digamos, ilibada para gozar desse crédito comigo. Mas como hoje é ela quem manda e falou está falado, não há muito o que fazer fora aceitar que supostamente não tive a “sorte” de gastar uma pequena fortuna para ver um jogo de futebol.
Tenho um amigo que está planejando passar um mês fora do Brasil quando a Copa do Mundo começar, em junho de 2014. Ele quer pegar o contrafluxo e curtir um tempo na gringa enquanto o Brasil só pensa na bola. Acho que pode até ser uma ideia interessante, mas acho que ele perderá uma grande chance de viver um momento único por aqui.
Caso o Brasil seja campeão, quero até ver a festa. Caso perca a Copa, nossa geração entenderá a de 1950. Isso sem contar as chances reais de protestos mais mobilizados dos que os de junho passado ganharem as ruas do Oiapoque ao Chuí.
Eu confesso: estou contando os dias para que essa Copa do Mundo chegue logo.