Atualmente, nada me deprime mais do que ir ao supermercado. Ali eu vejo que nosso dinheiro não vale nada. Qualquer meio carrinho já leva algumas centenas de reais da conta bancária. E tudo piora quando me recordo que aquela compra será insuficiente para fechar o restante do mês. Juro que todos os dias abro meu controlador pessoal de finanças para ver onde estou gastando à toa. Não encontro essa maldita linha que seria a responsável pela destruição do meu orçamento. E uma triste conclusão se revela: meu salário desvalorizou.
A última vez que o termo carestia fez tanto sentido quanto agora foi no governo Sarney. A cada mês que passa, é mais complicado manter o padrão de vida que você sustentava. A inflação está correndo os salários com a mesma voracidade com que cupins fazem a festa na madeira. É lento, devagar, de forma sorrateira. Quando você finalmente se atenta ao fato, sua estrutura está seriamente comprometida e não há mais remédio para salvar o que foi danificado. Ou seja, a casa já caiu.
Não é por menos que estamos observando greves pipocando pelos quatro cantos do Brasil. As mais diversas categorias estão cruzando os braços e optando pelo movimento paredista. O cara percebe toda vez que pega seu contracheque que, seguindo essa toada, rapidamente ele estará enforcado no limite do cheque especial e da fatura do cartão de crédito. E aí, meu amigo, a greve para reivindicar aquela melhoria salarial providencial sempre se apresenta como o melhor dos caminhos.
A presidenta Dilma não pode se apegar ao quase emprego pleno que o Brasil registra e se acomodar. Ela nunca pode se esquecer que a política só vai bem quando a economia está nos trinques. Quando a coisa desando para o lado orçamentário, é certo que isso vai reverberar com força no campo político. O bicho ainda não pegou, mas o caminho para o fracasso já está demarcado e o Brasil o trilha de forma preocupante.
A tensão que vive a Europa, com a quebradeira iminente de Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal e que coloca em risco a própria existência do mercado comum continental, não ficará restrita ao velho mundo. Assim como a crise estadunidense com a dilapidação das economias familiares daquele povo também não vão ficar contida aos limites do país. Naturalmente, essas dificuldades vão se espalhar pelo globo terrestre, atingindo todos países do mundo. Alguns com mais força, outros com menos. Mas todos serão impactados. E aí será responsabilidade de nossa presidenta junto de sua equipe técnica minimizar esse golpe. Até agora, nosso bolso anda dizendo que as coisas estão ficando cada vez mais difíceis.