A Redação
Goiânia – Bonecos, objetos, marionetes e sombras ganham vida nas mãos de quatro expoentes do teatro goiano. Para celebrar 10 anos de existência, a companhia Teatro do Maleiro convida Vânia Marques, a companhia Nu Escuro e o Grupo de Teatro Reinação para desembarcar em seis locais em Goiás e apresentar seus espetáculos de formas animadas. Entre os dias 24 de outubro e 9 de novembro acontece a Primeira Mostra Teatro do Maleiro em Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia. Escolas e teatros das três cidades receberão o projeto. A iniciativa da companhia que leva o nome da mostra tem patrocínio da lei Goyazes.
Serão apresentados cinco espetáculos. A companhia anfitriã apresentará “O boneco de cor” e “Achado e perdidos”. Já a companhia Nu Escuro apresenta sua peça “Plural” e a companhia Reinação se junta à caravana com a palhaça Caçarola no espetáculo “Tudo passa… eu passarinho!”. Vânia Marques, por sua vez, apresentará “Desembrulho”.
A caravana chega, primeiramente, ao colégio Heli Alvez Ferreira em Anápolis nos dias 24 e 25 de outubro 2018. De lá, ela segue para o Teatro Cidade Livre, em Aparecida de Goiânia, entre 1 e 3 de novembro. No dia 6 de novembro, a mostra chega ao IFG de Goiânia e IFG de Anápolis. Nos dias 7, 8 e 9 de novembro, as apresentações acontecem no Teatro Sonhus. No dia 9 também haverá apresentação no Basileu França. Somente a apresentação que acontecerá no Teatro Sonhus é paga: R$5. Todas as outras são gratuitas.
O projeto ainda contempla uma oficina de 29 de outubro a 2 de novembro na Oficina Cultural Gepetto com Gustavo Vale. O resultado será apresentado no dia 2 de novembro no Teatro Cidade Livre às 17 horas. Os interessados em participar da oficina devem enviar e-mail para critatura.gustavo@gmail.com.
Formas ganham vida
Material e imaterial se unem em palco numa fusão em que realidade se mistura com imaginação. O teatro de animação, que traz essa mistura particular, ainda lista poucos expoentes no estado de Goiás. O objetivo desta mostra é justamente levar ao público esse gênero através de espetáculos de qualidade, torna-lo conhecido e despertar o interesse, quem sabe, de futuros atores. “Os espetáculos que fazem parte da mostra são sérios, com temas interessantes, profissionais qualificados, manipulações afinadas. É esta qualidade que queremos levar”, diz Marcos Marrom, ator e diretor da Cia Teatro do Maleiro.
O Teatro de Animação, que reúne bonecos, marionetes, ventríloquos, luvas e objetos, recebe esse nome como um gênero específico somente na década de 1960 no Brasil. Ao total, é possível encontrar pouco mais de sete dezenas de estudos identificados no país. A proposta, assim, é que a mostra difunda o gênero e promova seu crescimento em nosso estado.
Os espetáculos
“Achados e Perdidos” apresenta ao público no palco: bule, chaleira, sapato… Objetos e marionetes, como a bailarina Fernanda Boteiro e o cavalo Molina Campos. A direção do espetáculo está a cargo do paulista diretor e ator João Araújo que promete instigar a criatividade de todos em um mergulho dramaturgo repleto de singularidades próprias do nosso cotidiano. Afinal, quem nunca brigou por amor? Se sentiu solitário? Perdido? Ou ainda não se encontrou plenamente?
Já “Boneco de Cor” apresenta uma história rodeada de personagens sociais do dia a dia. O espectador vê acontecendo uma verdadeira poética, constituída por músicas, poesias e interação com o público. As personagens que habitam o mundo apresentado neste espetáculo são bonecos com os quais o ator-bonequeiro dialoga e contracena. Os bonecos, construídos de madeira e papel, ganham existência diante de nossos olhos para, com movimentos corporais cheios de sutilezas, brincar de ser. Feito para todo tipo de público, o espetáculo cativa crianças, jovens e adultos. Todos se encantam por um universo em que a simplicidade se torna magico.
“Plural” é a trama tecida pelas histórias de uma menina chamada Maria. Suas primeiras recordações remetem aos seus sete anos e a narrativa segue costurando memória em memória, fiando do universo rural ao urbano, bordando histórias vividas e sentidas, com seus encantos, medos, violências, coragens, lamentos e alegrias. Uma trama sempre tensionada entre o drama e a poesia, o trágico e o humor. Para o espetáculo foram confeccionados bonecos forrados de tricô e de crochê, assim como os figurinos e cenários, com a intenção de retratar poeticamente o ambiente rural.
A linguagem do vídeo aparece como um contraponto ao universo popular, as projeções de imagens (videomapping) sobrepostas ao cenário, aos bonecos e aos atores/manipuladores, criam texturas e efeitos que dialogam com a cena. Atores e atrizes que também cantam, dançam e tocam cantigas populares junto com os bonecos, como em uma brincadeira em que as linguagens cênicas do teatro de animação, músicas ao vivo e projeções de vídeos se cruzam como em um calidoscópio infantil.
Desembrulho conta a história de uma mãe que nem depois da morte, foi capaz de superar a dor da perda de seu filho. Trata-se de uma história que se repete, um aborto espontâneo foi capaz de trazer das profundezas do além, o sentimento de uma mãe inconformada com a dor da perda.
Por fim, “Tudo passa… eu Passarinho!” apresenta a palhaça Caçarola, que leva seu jardim picadeiro para realizar seu Grande número, “Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança Cai! ”. Mas imprevistos acontecem e ela se atrapalha toda. Quando a Palhaça Caçarola finalmente anuncia seu grande número, ela fica tão emocionada… e para não chorar de tanta emoção, ela toca a “Carolina”, sua “sanfoninha oito baixos”.
Depois de agradecer a participação de todos, Caçarola vai fazer seu grande número, mas antes resolve apresentar a plateia o menor bambolê do mundo. Ela aproveita e faz uma demonstração da sua técnica da câmera lenta. Terminada a demonstração ela não consegue tirar o bambolê que ficou entalado. Após algumas tentativas fracassadas, ela pede ajuda para alguém na plateia.
Caçarola finalmente vai realizar seu número, é o momento do “Gran Finalle”. Ela pede silêncio e atenção a todos, pois o número exige equilíbrio, alto poder de concentração, uns quilinhos a menos e outras coisinhas a mais… E Caçarola desliza pelos ares em seu monociclo, e ao som de uma valsa se despede do público para continuar a levar seu jardim para outras quintas.
Serviço: 1ª Mostra Teatro do Maleiro
Anápolis
Colégio Estadual Professor Heli Alves Ferreira
24/10, 10h – O boneco de cor, Teatro do Maleiro
13h15 – Tudo passa… eu passarinho!, Reinação
25/10, 19h – Plural, Nu Escuro
IFG-Anápolis
6/11, 19h – Achados e perdidos, Teatro do Maleiro
Aparecida de Goiânia
Teatro Cidade Livre
1/11, 9h – Tudo passa… eu passarinho!, Grupo de teatro Reinação
1/11, 20h – Plural, Cia de teatro Nu Escuro
2/11, 17h – Resultado da oficina com Gustavo Vale
2/11, 19h30 – O boneco de cor, Cia.Teatro do Maleiro
3/11, 19h30 – Achados e perdidos, Cia. Teatro do Maleiro
Goiânia
IFG- Goiânia
6/11, 10h – O Boneco de cor, Teatro do Maleiro
Teatro Sonhus
7/11, 12h – Achados e Perdidos, Cia.Teatro do Maleiro
9/11, 20h – Plural, Cia de teatro Nu Escuro
Valor único R$: 5,00
Basileu França
9/11, 14h – Tudo passa… eu passarinho! Grupo de teatro Reinação