Estive nesses últimos dias fora de Goiânia a trabalho e por isso fiquei menos frequente no meu humilde espaço aqui no A Redação. Andei bons quilômetros dentro desse nosso Goiás que é bom demais.Durante a viagem, eu e a galera que estava no trampo, só gente de astral certo, não tínhamos o horário apertado. Combinamos de sair bem cedo para que mesmo se pintasse algum imprevisto, o que de fato aconteceu, não precisássemos correr, pois não perderíamos nossos compromissos. Pois é, só faltou combinar isso com os russos. Nesse caso, o motorista.
O cara era o maior vida loka do mundo ao volante. Sequer tínhamos tempo de temer a morte em alguma situação específica, pois rapidamente já nos encontrávamos em outra circunstância de prender a respiração. Um teste para cardíacos. E dos quais eu não pretendo enfrentar novamente. Um desespero absoluto só para andar rápido, correndo riscos e completamente no limite. E completamente desnecessário. E completamente inconsequente. Um desastre iminente por minuto.
Todas infrações possíveis em uma rodovia foram cometidas. Excesso de velocidade, uso inadequado do acostamento, ultrapassagens em faixa dupla… A pontuação acumulada do trajeto percorrido era suficiente para bloquear todas as habilitações de Goiânia. E o que mais impressiona é que não foi falta de alerta. Por várias vezes várias pessoas pediram para que o cara pegasse mais leve. Avisamos que não estávamos confortáveis com aquele tipo de direção. Uma pena que foram só palavras ao léu. O cara seguia seu ritmo doentio, ignorando solenemente nossas observações.
Fiquei me perguntando durante todo o tempo, nos intervalos entre os sustos, o que motivava o cidadão ser tão irresponsável. Parece que a velocidade era tão potente quanto uma droga para um adicto, da qual o cara não conseguia viver sem. Em dado momento, depois de muito ouvir e não mudar a forma de agir, o vida loka ligou o som para ver se abafava as reclamações. Veja só você…
Gente assim coloca em risco a vida de todos nós. Além de quem está sendo transportado, ele ainda expõe a um acidente em alta velocidade quem está trafegando, transeuntes das cidades que margeiam a pista, trabalhadores da rodovia e toda sociedade. A troco de quê? Não consigo sequer supor uma resposta razoável.
Não é de hoje que defendo que os carros saiam de fábrica com controle do excesso de velocidade. Como a pista que permite desenvolver a maior velocidade no Brasil tem teto de 120 quilômetros por hora, por que diabos até os carros populares alcançam números bem superiores a esse? Está tudo errado! Não tem o menor cabimento essa possibilidade completamente ordinária. Reduzir a velocidade máxima possível nos carros é medida urgente. Tirar os motoristas vida loka das pistas é humanizar nossas vias.