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Mulheres: como evitar as doenças cardiovasculares?

24.03.2015 - 15:51:10
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Goiânia – Nas últimas décadas, houve um aumento significativo da incidência de doenças cardiovasculares na mulher, em especial na doença arterial coronariana (DAC). Dados recentes apontam que essa é a causa de 36,9% das mortes de mulheres. A faixa etária do aumento da mortalidade cardiovascular da mulher ocorre, em média, dez anos após a do homem e isso se explica, parcialmente, pelo papel protetor do hormônio estrogênio, que se mantém presente até a época da menopausa.
 
A hipertensão arterial é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, tanto nas mulheres pré-menopausa quanto pós-menopausa. Durante o período fértil, a mulher é menos hipertensa que o homem, devido aos elevados níveis de estrógeno ou pela menor viscosidade e menor volume sanguíneo associadas às perdas menstruais mensais.
 
Além disso, neste mesmo período pré-menopausa, a hipertensão na gravidez é relativamente frequente e a pré-eclâmpsia é uma das principais causas de mortalidade materna quando evolui para formas mais graves. Em contrapartida, após a menopausa, há um declínio nos níveis de estrogênios, associados com alterações no metabolismo lipídico, aumento da adiposidade central e desenvolvimento de obesidade, aumentando assim a hipertensão arterial nas mulheres, de tal forma que a sua prevalência se torna maior que as dos homens da mesma idade.          
                                                                                     
A mudança do padrão de vida das mulheres talvez explique, em parte, a ocorrência de dados tão alarmantes: ao lado das responsabilidades tradicionais com a casa, filhos, marido e parentes idosos, as mulheres adquiriram as responsabilidades que antes se destinavam aos homens, como o trabalho fora do lar.
 
Ao mesmo tempo, as mulheres adquiriram alimentação irregular, com o aumento da ingestão de gorduras, carboidratos, álcool, falta de atividade física regular e aumento do tabagismo.    Os riscos de doenças cardíacas associadas à hipertensão arterial, podem ser reduzidas nas mulheres seguindo medidas não-farmacológicas, como:
 
– Perca peso: essa é a maneira mais efetiva para controlar a pressão e mesmo pequenas reduções diminuem significativamente a pressão, bem como riscos cardiovasculares graças à melhora do perfil lipídico e da tolerância à glicose, melhorando também a resposta à terapia de drogas anti-hipertensivas.
 
– Cuidado com o sódio: o excesso de sódio eleva a pressão arterial por aumento da volemia e, consequentemente, aumento do débito cardíaco. Posteriormente, por mecanismos de auto-regulação, há aumento da resistência vascular periférica, mantendo elevados os níveis de pressão arterial.
 
– Evite alimentos processados: enlatados, embutidos, conservas, molhos prontos, caldos de carne, temperos prontos e defumados também são ricos em sódio e devem ser evitados. Uma boa opção nesse sentido é introduzir o uso de salgante para o preparo das refeições. Composto à base de cloreto de potássio, salga os alimentos, sendo totalmente livre de sódio. A ingestão deve ser monitorada nos quadros clínicos de insuficiência renal crônica e indivíduos em tratamento hemodialítico.
 
– Consuma alimentos ricos em potássio: o potássio tem efeito anti-hipertensivo e exerce ação protetora contra danos cardiovasculares. Para isso é recomendado consumir alimentos ricos em potássio, como frutas (amora, abacate, banana), leguminosas (feijão, ervilha, grão-de-bico) e vegetais (beterraba, cenoura, espinafre) e muitas outras.
 
– Evite bebidas alcoólicas: o consumo excessivo de álcool eleva a pressão, além de ser uma das causas de resistência terapêutica anti-hipertensiva.
 
– Faça exercícios físicos: o exercício físico regular reduz a pressão arterial, além de produzir benefícios adicionais, como a diminuição do peso corpóreo, ação coadjuvante no tratamento das dislipidemias, diminuição da resistência à insulina e auxílio no controle do estresse.
 
Seguindo essas dicas, as mulheres tem muito mais chances de se manter longe da hipertensão arterial e, consequentemente, dos problemas cardiovasculares. Sem dúvida, são medidas que compensam.
 
*Bruna Mello é nutricionista e consultora do Bio Salgante, primeiro sal sem sódio do Brasil.
 
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por Bruna Mello

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