A taxa de juro vai cair ainda mais neste ano. Isso quer dizer que as linhas de crédito ficarão mais baratas, que será mais fácil renegociar dívidas. Significa mais gente gastando, porque as aplicações não darão assim tanto retorno. Cai o juro e as pessoas ficam com a sensação de que seu dinheiro está parado. Compram mais, os preços sobem e com eles a inflação. Aí está o maior perigo desse momento do governo, de reduzir o juro.
A intenção é clara. A economia mundial está parando e isso irá produzir uma desaceleração no Brasil também. Diferente da crise passada, quando tivemos só a marolinha de Lula, desta vez a coisa é mais feia e não escaparemos. Pior, já estamos sentindo os efeitos, ainda timidamente, da crise. Então o governo quer, com consumo maior, maior crédito, fazer com que haja consumo interno maior e com isso uma compensação à perda de mercado e consumo lá fora.
Mas, de novo, isso traz inflação. Há economistas que defendem um crescimento com um pouco de inflação. Se esse é o custo, vá lá, dizem eles. Mas vivemos períodos de grande inflação que começaram assim, com pequenos soluços da taxa, por isso o temor da maioria dos empresários, economistas, agentes econômicos. Em inflação a gente sabe como começa, não sabe como termina. É que elevar preços é fácil, baixar é que são elas.
Eu acompanho a economia desde 1982 de forma bem próxima e não me lembro, a não ser pelo advento do Plano Real, de a taxa cair e de se criar preços relativos entre si de forma automática. Depois de aumentar os preços e desajustar a relação entre eles os empresários relutarão ao máximo para produzir quedas. É mais ou menos como fazem os bancos com as suas taxas. A taxa básica do juro cai e não há a proporcionalidade nos serviços bancários nem em suas linhas de crédito. Alegam a alta inadimplência etc e fazem pequenos ajustes.
Por isso tudo, em vez de entrar na onda e sair comprando feito doido, na linha do que pretende o governo, tenha cuidado, muito cuidado com o tamanho do seu bolso, de sua poupança, de suas reservas. Comprar é simples, principalmente a prazo. Pagar depois fica mais complicado. Se deixar vender então, a coisa pode passar a padrões estratosféricos e a uma soma literalmente impagável, com graves danos à sua vida e à daqueles que o rodeiam.
O melhor procedimento é a cautela. Guarde seu dinheiro, não entre em prestações, junte até chegar no valor do bem que pretende comprar. Esse ainda é o melhor caminho.
Na crise, todo cuidado é pouco
*Jornalista e publicitário. Trabalhou no Estadão, Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. É diretor de Comunicação e Relações Governamentais na DPZ Propaganda