Goiânia – A Seleção Brasileira de futebol jogou ontem e eu não assisti. Fiquei lendo na minha cama. A Seleção Brasileira jogou na última sexta-feira, no feriadão da Independência. Também não assisti. Peguei minha família e fui curtir o Vaca Amarela. A Seleção Brasileira jogará em Goiânia no próximo dia 19, no clássico de maior rivalidade da América do Sul contra a Argentina. Minha expectativa por esse jogo é a mesma da que pela final do campeonato neozelandês de rugby. É impressionante como o escrete canarinho não consegue despertar nada em mim além da indiferença.
Meu envolvimento sentimental com a Seleção é infinitamente menor do que com o time que torço. Prefiro mil vezes que o Goiás volte à Série A do que o título da Copa das Confederações. Nem se compara. Não sinto identidade com aqueles caras que jogam lá. Não sei da história deles, onde se formaram, de que torcida foram ídolos, quais canecos levantaram. Juntam um monte de manés e vestem com a camisa que mais orgulhos deu para nosso país no campo esportivo. É de matar.
Nesse sentido, pode até ser que quando a bola rolar no jogo do Serra Dourada, eu me envolva com a partida. Gosto desse lance de convocar somente jogadores que atuam nos gramados brasileiros. Prefiro ver o zagueiro do Atlético Mineiro vestindo a camisa do Brasil do que o de um obscuro time ucraniano. Acho bem mais legal ver o centroavante do São Paulo com a amarelinha do que o caríssimo atacante que vem do futebol russo. Pode até ser pior tecnicamente falando, mas tem mais verdade. No campo futebolístico, o coração diz mais que a razão.
Se a goleada de ontem sobre a China foi redentora ou uma mera falcatrua para aliviar a barra de Mano Menezes, não faço a mínima. Se o duro jogo contra a África do Sul foi um bom teste ou só escancarou o quão pífio anda nosso futebol, não me importa. CBF, parabéns, depois de muito esforço você conseguiu: sou completamente indiferente ao universo da Seleção.
Ficou perdido na década de 1980 o orgulho em vestir a camisa do Brasil. Hoje, só usamos a amarelinha para fazer uma festa na Copa do Mundo, por mais que o Galvão Bueno diga o contrário. Alegria verdadeira e dor no peito real só sentimos nos êxitos e derrocadas de nossos clubes. O sentimento de unidade que sentíamos na Seleção ficou para trás.
A Copa de 2014 pode mudar isso. Se o time encantar, se o Neymar comer a bola, se o time criar identificação real com a torcida e levantar a taça, pode até apontar para um futuro diferente. Contudo, com esse futebolzinho mixuruca apresentado até hoje, pode ser a pá de cal. A Seleção caminha a passos largos para a completa irrelevância no nosso cotidiano.
Eu não queria que 1950 se repetisse em 2014. Mas já sinto o cheiro da derrota. Triste.