Pesquisa de universidade inglesa prova que consumo regular de maçã traz benefícios ao coração. Pesquisa de universidade norte-americana prova que consumo regular de maçã aumenta as chances de câncer de próstata. Pesquisa de universidade australiana prova que quem consume regularmente maçã se envolve em menos acidentes de trânsito. Pesquisa de universidade paulista prova que casais que consomem maçã regularmente têm menos prazer na cama. PARA!!! Meu Deus, o que vocês querem com tanta pesquisa?
Todo dia vemos uma notícia como essa no jornal. E isso só aumenta nossa angústia. Afinal, devemos ou não devemos comer maçã? Prefiro ter uma vida sexual prazerosa ou me preservar no trânsito? Prefiro morrer do coração ou de câncer na próstata? São tantas perguntas e pesquisas que chegam até nós que ficamos tontos. Os cruzamentos mais absurdos são feitos por cientistas que chegam aos percentuais e informações mais absurdas ainda. Os caras acompanham um número X de pessoas e analisam os mais diversos hábitos. No final, vão ter um resultado. É a verdade? É claro que não! Se fosse, não era ciência.
Mas o que nos causa angústia é que todo dia temos uma informação nova sobre um hábito ou um alimento. E vão colocando mais minhoca em nossa cabeça. Eu me armei para isso: ignoro de forma solene todo e qualquer tipo de pesquisa nessa linha. Meu cérebro recebe essa informação igual minha caixa de e-mails faz com as mensagens das malas diretas das empresas, envia tudo para a caixa de spam. Não vai direto para a lixeira, pois a gente ainda pode ir ali e dar uma cavucada. Mas no geral, fica esse limbo mesmo.
A real é que todos sabemos o que é saudável e o que não é. Sabemos que devemos comer mais saladas e frutas, sabemos que devemos evitar doces e frituras, sabemos que devemos fugir do cigarro, sabemos que devemos fazer exercícios físicos regularmente, sabemos que devemos nos consultar regularmente com médicos das mais variadas especialidades, sabemos que devemos dar bom dia e dizer obrigado no trabalho, sabemos que devemos beber de formar moderada. Se não fazemos, não é por falta de informação, é por que a gente gosta do errado mesmo. Por exemplo, nem a convicção absoluta do ser humano em Deus, na bíblia e em tudo de sagrado que garante que os adúlteros queimarão na pior chama do inferno impediu a humanidade de desejar e praticar sexo fora do casamento. Se nem a certeza da companhia do cramunhão nos faz mudar de comportamento, é muita empáfia desses cientistas achar que conseguirão, não é mesmo?
Então quando vejo essas pesquisas na imprensa, dou uma sonora gargalhada. E a vida segue. Não tenho paciência para dosar tanta pesquisa que jogam em cima de mim. E continuo comendo minha maçã com toda tranquilidade do mundo.