Que o trânsito de Goiânia está um inferno, que só conseguimos circular trechos absurdamente curtos gastando um tempo absurdamente longo, que a vontade de morrer quando precisamos voltar para casa no horário de rush enche nosso ser, que tem gente preferindo mudar para o interior do que encarar esse martírio diário dentro de um carro… Bom, tudo isso você já sabe, leitor. Só que o fundo do poço não existe. Ou seja, sempre tem um jeito de piorar aquilo que já é muito ruim. E nós, motoristas de Goiânia, realmente estamos dando o sangue para tornar nosso trânsito lamentável em uma experiência torturante. Pau de arara é bobagem perto de encarar a 24 de Outubro. Como sabiamente nos ensinou John Wayne, a vida é dura, mas se torna mais difícil quando você é estúpido. E é isso que estamos fazendo no trânsito de Goiânia. Aquilo que já é um martírio, fica insuportavelmente pior por estarmos sendo tão estúpidos.
Por exemplo, chegamos ao ponto de que quando um sinal abre, o congestionamento em frente ainda não andou. O sensato seria esperarmos para que o trânsito adiante se dissipasse e, só então, engatarmos a marcha em nosso carro e seguirmos adiante. Mas não. Fazemos questão de colar nosso veículo na bunda do último carro do congestionamento em frente e fecharmos o cruzamento. Aí, aquilo que estava terrível, só piora. E a extensão do problema fica quase insolúvel. Então, para não ser um imbecil no trânsito, espere o fluxo andar para sair do lugar. Fechar o cruzamento não vai fazer você chegar mais rápido e só vai irritar mais quem está na via perpendicular à sua.
Outro caso de estupidez suprema no trânsito e que beira o nonsense é o desrespeito completo às placas. O cara estaciona na maior tranquilidade do mundo embaixo de uma placa que tem um gigante X vermelho cruzando um E, fecha o carro e sai caminhando pela rua easy like a Sunday morning. Isso em uma baita de uma terça-feira, no horário de pico e em uma das avenidas mais movimentadas de Goiânia. É de uma folga tão descabida, que até penso que o cara tem algum problema cognitivo. Mas o pior é que não, o problema real do infeliz é a estupidez, a deformação moral, o caráter de vagabundo que não se importa com a sociedade em que vive. E esse é o primeiro tipinho que vai reclamar da chamada “indústria da multa” quando agentes lhe punem pelo erro.
Esses são só dois pequenos casos para ilustrar como somos capazes de deixar o inferno um lugar muito mais desagradável. E é isso que estamos fazendo diariamente. Com a logística inexistente de nosso trânsito, a falta de peito (vontade?) dos governantes em enfrentar o transporte individual priorizando o público, e a visão míope em não investir em métodos alternativos de mobilidade como as ciclovias, precisávamos ser um pouco mais colaborativos quando circulamos pela cidade. Mas infelizmente a imbecilidade está vencendo. Uma pena…