Jairo Macedo
“Sem metralhadora”. Foi com essa frase que Ademir Fonseca, novo técnico do Goiás, abriu a coletiva de imprensa em que se apresentou ao clube. Embora em tom de brincadeira, a frase vem bem a calhar, visto a desconfiança com que o treinador chega ao time esmeraldino. Para muitos, a demissão de Márcio Goiano, técnico anterior, foi precipitada. Também pesa o fato de Ademir já ter comandado o rival Vila Nova (em 2010) e, além disso, ter desempenhos ruins nos últimos times em que passou. O Verdão já é o 4º time que Ademir dirige em 2011 (passou por Oeste, São Caetano, Fortaleza e agora o Goiás).
Se no Vila Nova o objetivo era fugir da Série C, no Goiás a expectativa ainda é de alcançar o acesso. “O Goiás tem grande estrutura, grande torcida, e tem por obrigação lutar pela Série A”, afirma o treinador. Sobre as comparações com sua passagem pelo Tigre, Ademir diferencia: “Na época, o Vila Nova estava mais abaixo na tabela e sem dois meses de salário, isso dificultava muito”. O treinador faz questão de frisar que, no Goiás, não há nenhuma pendência desse tipo e o caminho está aberto para trabalhar dentro de campo.
Quanto às cobranças antes mesmo da estréia, Ademir Fonseca se defende. “Quero ressaltar que o Goiás, anos atrás, subiu para a Série A com Hélio dos Anjos, que na época estava na Série A2 e hoje é um dos grandes técnicos do Brasil”, exemplifica. Kleber Guerra, diretor de futebol esmeraldino, deposita no treinador toda a sua confiança. “Fiquei animado depois de conversar com ele e hoje ele vem bem conceituado”, disse o dirigente. “Gosto do Ademir, um cara transparente, que sabe conversar com o grupo”, completa.
Kleber revela ainda que Ademir não foi um nome escolhido às pressas, já que foi um dos treinadores cogitados para vir na ocasião anterior, quando Artur Neto foi demitido e Márcio Goiano contratado. Do elenco esmeraldino, Ademir Fonseca conhece bem Max Pardalzinho, que esteve presente na ascensão do Vila Nova, e o goleiro Harlei, com quem trabalhou quando ainda atuava como jogador, no Comercial-SP. No primeiro treinamento, nesta terça, Pardalzinho treinou entre os reservas. Parece pouco, mas o ex-Palmeiras não vinha sendo escalado nem no banco de reservas nas últimas rodadas.
Com passagem por 30 clubes, o treinador tem como principais títulos um Campeonato Paraense e um Paulista pelo Ituano. Seu último time foi o Fortaleza, onde teve uma passagem relâmpago de quatro dias.
Três contratações
Kleber Guerra reafirma que a diretoria esmeraldina está em busca de três jogadores, todos eles em negociação com o clube. Desses, Ademir Fonseca aprovou dois, mas fez ressalvas à vinda de um deles. Sem mencionar nomes, Kleber diz que treinador e diretoria estão trabalhando juntos para chegar a esse terceiro nome.
O diretor de futebol deu a entender que esse nome descartado seria Geovanni, meia do Atlético-MG. Sobre Toró, volante dispensado por Cuca do Galo Mineiro e oferecido ao Goiás, Kleber Guerra afirma que o jogador não está dentro dos limites financeiros do Verdão.