José Abrão
Goiânia – Em nova coletiva de imprensa nesta sexta-feira (29/12), o delegado Carlos Alfama, da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) da Polícia Civil de Goiás (PCGO), apresentou as provas que levaram à prisão de Amanda Partata, suspeita de ter envenenado o ex-sogro e a mãe dele em um café da manhã com a família do ex-namorado no dia 17 de dezembro, em Goiânia.
Entre as provas apresentadas à imprensa, entre vídeos, conversas por WhatsApp e documentos, se destaca a nota fiscal obtida pela Polícia Civil referente à compra do veneno utilizado no crime. O registro chegou aos investigadores graças a um motorista de aplicativo que fez a entrega da encomenda com a substância no dia 16/12 no hotel em que a suspeita estava hospedada, no Setor Marista.
“Recebemos a notícia do motorista de aplicativo que levou a encomenda para a Amanda. Ele disse que estava preocupado e que havia levado a caixa pra ela e que era uma caixa de uma indústria química e farmacêutica, uma medicação comprada em um site”, relata o delegado. Após a quebra do sigilo fiscal da suspeita, a polícia comprovou que a substância foi comprada em um site de materiais químicos e farmacêuticos e a nota foi registrada no nome, CPF e endereço de Amanda.
Além disso, há filmagens do hotel que mostram Amanda no elevador e depois no corredor abrindo a caixa e a descartando. Nas imagens é possível ver Amanda no elevador, tentando esconder a caixa das câmeras de segurança. Depois, é possível vê-la abrindo a encomenda em um ponto em que acredita não estar sendo filmada. Com o nome da substância registrada na nota fiscal, a perícia fez o teste, encontrando o material químico em ambas as vítimas.
Nota fiscal comprova que ex-nora comprou veneno para matar família do ex em Goiânia. Suspeita recebeu substância um dia antes https://t.co/ccMjVckl5p pic.twitter.com/lT3TjUmnkM
— Jornal A Redação (@aredacao) December 29, 2023
“Não há margem alguma para a dúvida. A Amanda comprou o veneno pela internet”, arremata o delegado. A compra foi feita no dia 8, uma semana antes, e foi entregue a ela no dia anterior. Alfama também aponta que a motivação foi rejeição: no dia em que ela comprou o veneno, em uma mensagem trocada por WhatsApp, ela teria perguntado à Leonardo Filho, seu ex-namorado e filho e neto das vítimas, do que ele tinha mais medo: de morrer ou de perder a família.
“Ela acreditava que seu maior medo era perder seus familiares, essa mensagem foi enviada no dia que ela comprou o veneno. O Leonardo Filho entregou o celular e tem as mensagens registradas. Foi vontade de causar no ex-namorado o maior sofrimento possível”, aponta o delegado.
Outras tantas incongruências puderam ser obtidas com as provas. Por exemplo: o dia 15, às 6h59, Amanda teria enviado mensagem para Leonardo Filho afirmando estar com sangramento e que iria ficar de cama. No mesmo momento, a polícia tem filmagens dela indo e ficando por várias horas na academia do hotel. No mesmo dia, ela também envia mensagem dizendo que vai ao médico, mas a polícia tem imagens e registros dela indo a uma boutique onde ficou por longo período de tempo e gastou R$ 3 mil em roupas.
Falsa gravidez
A investigação também conseguiu comprovar que Amanda Partata nunca esteve grávida de Leonardo Filho e que já havia dado o golpe da barriga em diversas outras vítimas.
“O Leonardo Filho nos trouxe o exame que ela levou pra ele no dia 14/12, uma ultrassonografia, com um feto de 23 semanas. Nós sabíamos que esse teste de gravidez era falso”, relata o delegado, já que o exame feito quando ela foi presa deu negativo. Durante busca na residência de Amanda, os policiais encontraram outros dois exames, um de agosto e outro de dezembro, ambos negativos. “É possível dar a certeza que Amanda Partata nunca esteve grávida. Ela usava isso como um artifício para se manter próxima da família e inclusive chegou a fazer um chá de revelação com um exame de sexagem de uma menina”, afirma o delegado.
Segundo Alfama, desde a divulgação do caso após a prisão de Amanda, cinco ex-namorados já prestaram depoimento afirmando terem sido vítimas do golpe da falsa gravidez. “Ao menos cinco ex-namorados relataram exatamente a mesma conduta, com uma falsa gravidez usada para obter dinheiro e manter o relacionamento com ela”, diz o investigador.
As mesmas provas foram apresentadas para Amanda em novo depoimento nesta quinta-feira (28/12), mas ela optou por permanecer em silêncio.
Relembre o caso
A advogada Amanda Partata é suspeita de ter matado o ex-sogro e a mãe dele. Leonardo Pereira Alves, de 58 anos, e Luzia Tereza Alves, de 86 anos, mãe e filho, morreram em Goiânia vítimas de envenenamento após consumirem alimentos comprados por Amanda. Em um primeiro momento, a suspeita foi de que eles tivessem sofrido uma intoxicação alimentar causada por alimentos contaminados de uma famosa doceria de Goiânia. A polícia excluiu qualquer relação com a doceria.
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