O dia foi corrido. Você terminou aquele relatório e o deixou na mesa do chefe, já retornou todas as ligações que estava devendo e a caixa de e-mails não tem mais nenhuma mensagem em negrito. Tudo foi cumprido, você está levemente cansado e não tem mais saco para iniciar qualquer atividade do dia seguinte. Então, você abre algumas páginas na internet para passar o tempo, até que o relógio marque a hora de pegar o trânsito e ir embora. Uns vão para sites de fofoca, outros para redes sociais. Os mais toscos, para esses sites de humor besta. Eu não. Eu vou para o Youtube.
Nada mata mais meu tempo na internet do que o maior site de compartilhamento de vídeos do mundo. Não tem para Twitter, nem para Facebook. Onde meus ricos minutinhos vão embora quando estou diante de um teclado é assistindo vídeos antigos. Vou por temas. Tem dias escolho clássicos da televisão brasileira. Outros, jogos de futebol. Ou ainda videoclipes. E, orientado pelos vídeos relacionados, vou seguindo minha busca até onde o tempo me deixar.
Quando começo com futebol, assisto os melhores lances jogos clássicos da Seleção Brasileira, golaços da fase áurea do Flamengo, retrospectos de campanhas históricas do Goiás… E vou me deixando ser levado pelo sentimento nostálgico dos grandes jogos da história do nosso futebol. Gosto de perceber as diferenças que permearam o esporte ao longo dos anos. As camisas que ainda não eram outdoors, os shorts curtinhos, a inocência quando uma bola quicava na área, a velocidade mais lenta da partida. Me divirto horrores com isso.
Outros dias, vou nos programas que marcaram nossa televisão. Começo por alguma coisa da TV Pirata ou dos Trapalhões. Daí, sigo para Perdidos na Noite, aberturas de novelas, Cocktail, Viva o Gordo, Chico Anysio… Deixo que os vídeos relacionados sejam meu guia. Dali vou clicando para esse mergulho nostálgico e percebendo o quanto a televisão brasileira está diferente. Fica claro como o politicamente correto deixou tudo mais clean e insípido, tal qual um sanduíche de fast food. Os programas de antes eram como pit dogs de esquina: podem até ser mais toscos, mas são inegavelmente mais saborosos. Eu, que não como sanduíche de fast food há mais de uma década (graças a Deus!), prefiro sempre a autenticidade à assepsia. Por isso que a televisão do passado me seduz mais. E toda vez que vou nessa pesquisa no Youtube isso se confirma.
Nos dias musicais, costumo fazer temáticos de um artista. Depois de escolhido o nome, vou dando aquela busca nos vídeos de todas as fases da carreira do cara. Músicas que eu gosto, músicas lado B, clipes que bombaram, apresentações ao vivo em programas de TV, entrevistas… Vou percebendo as alterações estéticas do artista ao longo dos anos, a sempre cruel ação do tempo em todos nós, se conseguiram ou não envelhecer com dignidade. Enquanto isso, o tempo vai passando…
Não tenho dúvidas de que a internet seria bem menos interessante se não tivéssemos esse gigantesco acervo de cultura audiovisual que é o Youtube.