Goiânia – É de cortar o coração a capa do jornal Diário da Manhã de hoje. A foto principal tem quatro cachorros mortos, estirados lado a lado, todos supostamente vítimas de envenenamento. Tudo indica que eles comeram carne com chumbinho. Para quem tem cachorro e gosta de bichos como eu, é ruim demais ver imagens assim.
O caso aconteceu no Crimeia Leste. O dono dos animais Plínio Cassiano dos Santos, 19, disse à reportagem que seu avô e outros vizinhos já haviam ameaçado os cães. Estariam incomodados por conta dos latidos. Convenhamos, por maior que seja o ruído, não justifica a ação extrema. É possível achar soluções intermediárias para que o problema não se estenda.
É compreensível a irritação dos vizinhos com o barulho dos cachorros. Ninguém é obrigado a aguentar a perturbação de seu sossego domiciliar. Quando o meu implica com algo (que pode ser uma coruja, rato, lagarto ou até mesmo o latido de outros cães das proximidades), não é tarefa das mais simples fazê-lo parar. Mas como nunca tive reclamação alguma, também não me empenhei em corrigir esse mau hábito do Xico.
Eu não estaria tão tranquilo caso já tivesse recebido alguma notificação de vizinhos. Pior ainda se fossem ameaças de envenenamento. Um plano mais duro já estaria em execução. Seja na educação que os donos aplicam aos cachorros, seja num adestramento, seja até mesmo, no caso das tentativas anteriores não surtirem efeito, uma cirurgia nas cordas vocais do meu cachorro. Afinal, minha opção de amá-lo e criá-lo em casa não pode se sobrepor ao direito que o vizinho tem de tranquilidade em casa.
Por outro lado, se alguém tomasse a atitude inconcebível de envenenar meu cachorro por mais barulhento que ele fosse… Não gosto sequer de pensar. Ele teria um inimigo eterno. Iria levar para a Justiça até onde não conseguisse mais. E que não contasse mais com meu sorriso de bom dia ao cruzar levando os filhos para a escola.
Conviver com a mulher que dividimos a cama já é tarefa hercúlea, imagine o sacrifício dividir o muro com quem só compartilhamos o desejo de morar no mesmo bairro ou prédio. O ato de ceder deve ser rotineiro, partindo dos dois lados.
Se os vizinhos e o avô de Plínio tinham motivos para reclamar do barulho dos cachorros, perderam a razão completamente após o fim trágico dos animais. Caso seja realmente confirmado o envenenamento e a polícia identifique a autoria, que os responsáveis sejam punidos conforme determina a lei.
E, somente por precaução, vou tentar controlar os latidos do meu cachorro.