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O Empoderamento Feminino

08.03.2017 - 10:17:26
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Goiânia – O dia 8 de março deflagra uma série de conquistas vindouras obtidas pelas mulheres. Neste dia, precisamente no ano de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova York fizeram greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova York fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi marcado pela repressão policial.
 
Em 1911, ocorreu um episódio marcante, que ficou conhecido no imaginário feminista como a consagração do dia da mulher. No dia 25 de março, um incêndio aconteceu em uma fábrica da Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. Aproximadamente 600 trabalhadores conseguiram escapar pelas escadas ou pelo elevador. Outros 146, infelizmente, faleceram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas. Mais de 100 mil pessoas participaram do funeral coletivo. 
 
No cinema, há um forte apelo no que concerne a papéis relevantes protagonizados por mulheres. Kenji Mizoguchi foi, provavelmente, o primeiro cineasta feminista e, em grande parte de sua vasta filmografia, as mulheres foram preponderantes em suas histórias. Oharu – A Vida de uma Cortesã (1952) pode ser considerado a quintessência de sua obra. Nele, Kinuyo Tanaka interpreta a personagem do título. Na trama, vivencia-se a odisseia protagonizada por uma mulher que crê no amor, que luta, sofre, enfrenta os dissabores que uma sociedade preconceituosa e acaba como pedinte e cortesã. Dialoga diretamente com Noites de Cabíria (1957), clássico de Federico Fellini, em que uma prostituta perambula pelas ruas de Roma à procura de seu verdadeiro amor.
 
Johnny Guitar (1954), de Nicholas Ray, é um marco e extremamente relevante. Não há como não mencioná-lo, visto a grandeza da interpretação de Joan Crawford, no papel de Vienna, uma mulher de fibra, que luta e inverte completamente a ordem em filmes de faroeste, aqui a mulher é o principal destaque e rouba a cena. É uma obra permeada por subversão e desejo. Outros grandes diretores se curvaram às mulheres: Jean-Luc Godard (Uma Mulher é Uma Mulher, 1961), Jacques Tourneur (A Vingança dos Piratas, 1951), Samuel Fuller (O Beijo Amargo, 1964), Roberto Rossellini (Europa 51, 1952), Rogério Sganzerla (A Mulher de Todos, 1969), Quentin Tarantino (À Prova de Morte, 2007), Jack Hill (Coffy, 1973), R.W. Fassbinder (As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, 1972), Ingmar Bergman (Gritos e Sussurros, 1972), Abel Ferrara (Sedução e Vingança, 1981), Manoel de Oliveira (Singularidades de uma Rapariga Loura, 2009), Roman Polanski (A Pele de Vênus, 2013), Clint Eastwood (A Troca, 2008), David Fincher (Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, 2011), James Gray (Era Uma Vez em Nova York, 2013), Todd Haynes (Carol, 2015), Paul Verhoeven (Elle, 2016)…
 
Como se não bastasse os grandes papéis, as mulheres ganharam destaque na direção. Ida Lupino, uma grande atriz, tornou-se uma diretora excepcional. Apesar de sua curta filmografia, sete longas dirigidos, a representatividade e seu pleno domínio do ofício alçaram-na a uma posição que a coloca em pé de igualdade com qualquer outro grande diretor do cinema. Realizou filmes que retrataram muito bem a opressão pela qual as mulheres são submetidas. Seu primeiro filme data de 1949, numa época em que o preconceito contra a mulher era ainda mais forte. 
 
Há inúmeras outras que se tornaram grandes, que possuem seus nomes gravados na história do cinema. Elas surgem das mais variadas nacionalidades e merecem os aplausos por meio de uma contribuição de inegável valor artístico. Chantal Akerman (belga); Marguerite Duras, Agnès Varda, Catherine Breillat, Mia Hansen-Løve e Claire Denis (francesas); Rita Azevedo Gomes (portuguesa); Vera Chytilová (checa); Maya Deren (ucraniana); Lucrecia Martel (argentina); Ana Carolina e Suzana Amaral (brasileiras); Barbara Loden, Elaine May, Kelly Reichardt, Kathryn Bigelow e Sofia Coppola (americanas); Leni Riefenstahl e Maren Ade (alemãs); Kinuyo Tanaka e Naomi Kawase (japonesas)…
 
Felizmente, ao longo dos anos as mulheres transpõem barreiras que pareciam herméticas e conquistam mais espaço, em todas as áreas. É importante ressaltar que ainda há muito preconceito, mas que, por meio de uma pungente força peculiar a elas, dissipa-se cada vez mais, pois o talento aparece a todo instante e demonstra a capacidade cognitiva desmesurável inerente, o que corrobora o valor da mulher.
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por Declieux Crispim

*Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte.

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