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O fascínio da arte na rua

29.06.2011 - 20:50:05
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Uma das coisas que mais me fascinam no mundo das artes são os grafites que ocupam os espaços urbanos. Sempre gostei das manifestações populares de arte. Encontrar estes painéis executados por artistas que, consigo reconhecer o repertório de personagens, os traços e as cores, me traz satisfação imediata.  Muitas vezes chego anotar onde está a obra, uma forma de estruturar uma galeria aberta onde ocupo o lugar de curador.

Felizmente, temos em Goiás vários artistas que se dedicam a este ofício.  É injusto não se lembrar de todos, mas para ilustrar nossos talentos, podemos citar as obras de Matheus Dutra, com traços fortes que formam homens e peixes, Ebert Calaça, com  sereias e leitoras lânguidas, Santiago, com elementos gráficos e grandes blocos de cores, e Fabíola Morais, com seus corações e estilo de traço que lembram o Cerrado na época da seca.

Em todo mundo, o grafite já ocupa lugares de destaque em instituições sofisticadas. No Brasil, a galeria paulista Choque Cultural movimentou o mercado de obras de arte com exposições antológicas dos grafiteiros Speto, Pezão e d’Os Gêmeos, entre outros. Suas obras de arte se valorizaram e  essa onda positiva chegou por aqui. Alguns empresários tiveram a boa sacada de exibir em seus muros e fachadas muitos trabalhos incríveis.  Os grafiteiros que, aproveito para deixar claro que nada têm a ver com pichadores, se multiplicaram e temos hoje na cidade uma loja de tintas especializada para esse tipo de arte, a linda Go Ink, que ocupa um trailer no pátio da Ambient Skate Shop.
    
Comemoro esta fase da arte na rua com uma pitada de nostalgia.  Sinto falta daquelas pinturas engraçadas no lugar das atuais fachadas de metal pré-moldadas. Lembro-me bem que existiam artistas que ilustravam as entradas dos salões de beleza, casas de carne, bares e panificadoras.  Impossível ignorar estas pinturas e a identidade destes estabelecimentos, com mulheres rodeadas de estrelinhas mostrando o novo penteado, frangos assados brilhantes, bolos e pães com formas estranhas. Hoje o popular são os banners com imagens retiradas da internet. Ficou sem graça.

Sempre dou o um jeito de elogiar o trabalho dos artistas que nos alegram com aquelas figuras que deveriam ser Mônicas, Mickeys e Patetas. Alguns podem dar medo, mas não deixam de ser únicos. Há menos de uma década, os painéis de entrada nos principais cinemas, a peça central de merchandising dos filmes, também eram grandes pinturas. Traziam com traços super individuais as principais fotos de divulgação do Blockbuster em cartaz. Lembro que fiquei fascinado pela pintura do primeiro filme de Indiana Jones.

Acho que o artista estava inspirado com a fita e caprichou nos detalhes feitos em pincel e tinta. Nunca vou esquecer. Também acho que este oficio artístico acabou, o pintor de artes em fachadas sumiu. Mas antes de ficarmos somente com a publicidade, que na maioria das vezes só acrescenta em poluição, que tal acolher e estimular o surgimento dos grafiteiros? Uma atitude viável de ter e conviver com arte na rua. Popular, democrática e acessível.

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por Sérgio Paiva

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