O caro leitor de A Redação deve ter percebido (ou não, se for do time dos espertos) que estou meio ausente aqui do meu espaço. A razão desse sumiço é a 14ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás (Fica 2012). Estou trabalhando feito uma mula em época de colheita na Comunicação do evento. Logo, meu tempo para refletir sobre o dia a dia da forma descompromissada como faço (quase) que diariamente está inteiramente comprometido. Entre uma atividade e outra, arrumei uma brecha para dar uma vida aqui n’O Blog.
Venho ao Fica desde que era estudante. Quebrados facombianos, dividíamos quartos, compartilhávamos tíquetes, ficávamos bêbados de cerveja ruim ou bebida barata. Nem ressaca nos pegava. Não sabíamos onde dormir e sempre dávamos um jeito. Não tínhamos dinheiro para voltar para Goiânia e sempre pintava uma carona. Alguém sempre pegava alguém. E eram pegas nervosos. Romances de Fica são clássicos. Éramos jovens e o astral comandava. Bons tempos…
Depois, passei a vir trabalhando como jornalista. A responsabilidade cresceu enormemente. E algum conforto também apareceu. Agora eu já tinha transporte para vir a Goiás, trânsito interno na cidade com um belo crachá, rango e hospedagem decentes garantidos. Agora, eu não podia andar a esmo pela cidade. Tinha pautas a cumprir, entrevistas para fazer, eventos para acompanhar. Mas sempre sobrava tempo para uma balada, curtir um show, fazer amigos, dar trelas.
Esse é o segundo ano que estou coordenando a Comunicação do Fica. O volume de trabalho atingiu patamares inacreditáveis. Mesmo com esse volume, sempre sobra tempinho para curtir a boa e velha Cidade de Goiás. E nessas andanças é claro o amadurecimento do festival e o quanto a cidade ganhou uma nova cara com o acúmulo das edições. O poder transformador da Cultura é inegável. Minha vida foi mudada por conta das obras artísticas que tive contato ao longo da vida. A presença do Fica mudou a vida da Cidade de Goiás.
A população entende agora o Fica como algo seu. O crescente esforço da organização em envolver atores locais gerou frutos. Dá para ouvir os comentários nas rodinhas da Praça do Coreto. Dá para sentir o clima entre as senhoras sentadas nas cadeiras das calçadas. Dá para perceber no olhar de quem está trabalhando. Goiás foi profundamente alterada com o Fica. É inegável. Só não vê quem é cego. Ou é pessimamente intencionado.
Quando o Fica tiver em sua 50ª edição, ainda quero estar vivenciando o clima do evento. E tenho certeza que os filhos e netos do Fica seguirão seu nobre legado.