Goiânia – Hoje completam 40 anos do lançamento do álbum Dark Side of the Moon. No dia 1º de março de 1973, os ingleses do Pink Floyd colocavam nas prateleiras seu álbum mais importante. Tudo bem, sei que The Wall é talvez o mais querido de grande parte dos fãs da banda. Afinal, tem o megahit Another brick in the wall, Pt 2, provavelmente a porta de entrada para vários aficionados pelo som do quarteto. Contudo, é inegável que no disco da capa do prisma, feixe de luz e arco-íris está o auge criativo dessa que é uma das mais relevantes bandas de toda história do rock.
Eu confesso que demorei a gostar e reconhecer valor no Dark Side of the Moon. Já estava atolado até o último fio de cabelo no universo do rock, mas não ouvia Pink Floyd. Puro preconceito juvenil que perdurou até o início da fase adulta. Fui criado dentro do universo do punk rock. O mundo não era essa positiva promiscuidade estética que vivemos hoje. Naqueles tempos, se você gostava de punk, era obrigatório negar outros estilos musicais. O rock progressivo era um deles. Eu seguia a cartilha fielmente. Falava mal de bandas que sequer tinha escutado. Bobagens de tempos imberbes que duraram mais que o razoável.
O disco do Pink Floyd só mereceu minha atenção por uma via absurdamente torta. Junto dos meus amigos Maurício Motta e Alexandre Petillo, estávamos montando um programa de rádio para a finada 89FM, que era uma emissora dedicada ao rock. Ambos fizeram altas recomendações ao álbum Dub Side of the Moon, do Easy Star All-Stars. Eles estavam acachapados com as versões enfumaçadas do lendário trabalho floydiano. Segui o conselho e ouvi o disco timbre reggae. Chapei.
Depois disso, quando o vinil estava em baixa, comprei alguns discos do Pink Floyd porque o preço era ridículo em um sebo da Rua 4.Só por curiosidade antropológica. Foram direto para a estante e não os ouvi. Por influência de uma grande amiga querida, coloquei um dia para ouvir o Wish You Were Here. Pirei. Shine on you crazy diamond foi a responsável. Achei sensacional a música começar de um lado do vinil e terminar no outro. Uma guitarra épica linda, etérea, sensível.
A partir daí, chegar ao Dark Side of the Moon foi natural. E também foi natural ele se tornar meu preferido. Uma verdadeira obra prima do começo ao fim. Os grandes temas como envelhecimento, loucura, dinheiro são tratados de forma magistral. Um disco intelectualmente ousado, tanto no discurso quanto na parte musical. Existe a lenda de que ele seria uma perfeita sincronização para o filme Mágico de Oz. Nunca tentei. Não tenho interesse. O que me interessa é o fato da audição do disco resistir ao longo das décadas. Permanecer relevante. Característica de obras primas. Categoria na qual Dark Side of the Moon se enquadra tranquilamente.