Logo

O mar não está para peixe

22.08.2015 - 14:07:16
WhatsAppFacebookLinkedInX

Quando caminhamos na praia não é raro nos depararmos com peixes miúdos mortos ou boiando na beira do mar. Muitas vezes, isso acontece por causa de uma captura acidental das redes de pesca. Por não ter valor comercial ou por terem sidos capturados sem intenção, os pescadores os descartam de qualquer jeito.
 
Essa é uma ação condenável e que coloca em risco todo o ecossistema e a existência da vida marinha. A captura acidental é a maior responsável pelo estoque mundial de peixes estar em declínio, antes mesmo da poluição e dos fatores climáticos.
 
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), estima-se que 20 milhões de toneladas de peixes são mortos dessa maneira, por ano. Além dos peixes, cerca de 308 mil golfinhos e baleias também morrem devido à captura acidental. No Estado de São Paulo, a toninha (uma espécie de golfinho) e a tartaruga-verde são as espécies mais capturadas.
 
Outro problema preocupante nos nossos mares é a sobrepesca, que é a retirada excessiva de alguns pescados acima da cota permitida pelos órgãos ambientais. Com isso, aumenta a falta de tempo para que as espécies possam se reproduzir. Outro fator é o nosso apetite por peixes ultrapassar os limites ecológicos dos oceanos, colocando a sobrevivência de muitas espécies em risco.
 
A sardinha pode ser apontada como um bom exemplo. Antes presente em toda a costa, ela quase desapareceu da vida marinha. Em 1973, a produção de sardinha-verdadeira no país era de 228 mil toneladas. Em 2011, esse número baixou drasticamente para apenas 75 mil toneladas.
 
É importante mostrar que se não houver maior controle sobre a pesca predatória no país muitas espécies correm o risco de entrar em extinção. Segundo estudos feitos por pesquisadores cerca de 80% das principais espécies exploradas nas zonas costeiras aqui do Brasil estão em estado de sobrepesca.
 
Se continuarmos assim, não haverá mais espécies de peixes para serem consumidos futuramente, nos sobrando para o consumo apenas as algas marinhas e os pepinos-do-mar.
 
* João Alberto dos Santos é membro do Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul) – CRBio-01.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por João Alberto Dos Santos

*

Postagens Relacionadas
José Israel
28.02.2026
Canetas emagrecedoras e pancreatite

O debate em torno das chamadas canetas emagrecedoras ganhou um novo e relevante capítulo com a divulgação, por parte da Anvisa, de dados sobre casos suspeitos de pancreatite e óbitos potencialmente relacionados ao uso desses medicamentos no Brasil. Embora os números ainda não permitam conclusões definitivas, eles desempenham um papel crucial ao acender um alerta […]

Mara Pessoni
28.02.2026
É possível solicitar um visto para os EUA apenas para assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo?

É perfeitamente possível solicitar o visto americano para assistir a apenas um jogo da Copa do Mundo de 2026. Na verdade, grandes eventos esportivos são motivos comuns e legítimos para viagens de turismo. Como você já atua na área de imigração, sabe que o desafio não é a justificativa em si, mas a demonstração de […]

Roberta Muniz Elias
27.02.2026
Infância Sem Atalhos: Proteção Total

Diante da ampla repercussão pública nos últimos dias sobre o julgamento no TJ/MG, a proteção da dignidade sexual de crianças e adolescentes voltou a ocupar o centro do debate. Decisões judiciais que, de forma equivocada, tentaram relativizar a aplicação do art. 217-A do Código Penal – dispositivo que tipifica o estupro de vulnerável – suscitaram […]

Décio Gazzoni e Antônio Buainain
25.02.2026
O papel do engenheiro agrônomo na realidade contemporânea

O Acordo entre o Mercosul e a União Europeia significa um marco histórico nas trocas comerciais no mundo, pela amplitude de países, população e valores financeiros (PIB e trocas comerciais) envolvidos. É um exemplo acabado da realidade comercial contemporânea. Do ponto de vista da União Europeia, as vantagens apontam especialmente para uma abertura de mercado […]

Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]