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O poder de um filme dublado

06.02.2012 - 11:13:44
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Tenho passado por uma fase nostálgica em relação ao cinema. Ando assistindo filmes que já vi há muito tempo e tento me esforçar para desenvolver um novo olhar sobre aquela obra. A intenção é verificar se o poder e a magia daquele filme existem de fato e são como está na minha cabeça ou é mera memória afetiva que deixa o filme com aquela áurea especial.

 

Comecei pelo O Homem que Matou o Facínora, de John Ford e com John Wayne no papel principal. É inegável a maestria da dupla diretor e ator quando o papo é filme de faroeste. Me deliciei com cada diálogo bronco, com cada interpretação teatral, com cada cigarro aceso nesses tempos de bom mocismo antitabagista. Essa obra de 1962 permanece relevante, continua divertido assistir o filme e tudo mais. Mas preciso confessar que não era bem aquilo que estava na minha cabeça. Faltava algo, uma poesia qualquer que eu não sabia explicar direito o que era. Na sequência, separei Alien – O Oitavo Passageiro para assistir. Consegui uma cópia dublada e aí o estranhamento que tive ao fim do filme de Ford se explicou: O Homem que Matou o Facínora era legendado e isso estragou a magia do filme que vivia em meu sentimento.

 

Assistir um filme dublado, desses que você viu quando criança, é retornar a um universo que só existe em sua memória afetiva. É relembrar da pipoca que sua avó fazia enquanto você esperava no sofá, com seu avô, o filme de bangue-bangue voltar após o comercial. É relembrar as sessões de sábado de tarde junto com os amigos da rua. É relembrar a Tela Quente que você só assistia quando estava de férias na companhia dos primos. É relembrar a Sessão da Tarde com as comédias juvenis à la Porks cheias de piadas de duplo sentido. É relembrar dos filmes de terror que o Zé do Caixão apresentava na Bandeirantes. Filmes dublados têm seu charme por conta de todas essas lembranças que trazem. Um mundo onde o vídeo cassete era coisa de rico e juntávamos na casa do amigo mais abastado para assistir os filmes locados na Opus.

 

Por isso, nesse novo hobby de assistir novamente os filmes que ocupam um espaço carinhoso na minha memória afetiva, tenho optado pelas versões dubladas. O poder de emocionar está justamente na carga de sentimentos que a “versão brasileira Hebert Richers” ou “Alamo” consegue trazer. Sei que a versão legendada é mais fiel, que cortam trechos relevantes na dublagem e coisa e tal. Mas quem consegue emocionar de fato o coração é o filme dublado. E, quando estamos falando de sentimento, a razão não deve dar pitaco.

 

Para manter essa tradição de revisitar a memória afetiva cinematográfica, hoje vou atrás de todos Loucademias de Polícia que encontrar. E todos dublados, é claro!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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