Como todo bom assalariado que precisa fazer planos e um monte de contas para viajar nas férias, estou no meio desse processo. Tiro o mês de descanso garantido pela legislação trabalhista em janeiro desde que tenho carteira assinada. E não mudo essa tradição por nada. Sei que os preços são mais caros por ser alta temporada, sei que tudo está engarrafado, sei que perco dinheiro. Mas não estou nem aí. A sensação na festa de Natal de que só volto ao trabalho no final do próximo mês é indescritível. E sem contar o quanto a festa da virada de ano fica mais de boa sem pensar que tenho que trabalhar no dia 02. Como diz aquele comercial que lhe incentiva a entrar em dívidas, não tem preço.
Decidimos ir para a Paraíba nas próximas férias. Minha mulher diz que se diverte mais no planejamento da viagem do que nos dias em que está executando aquilo programado. Não penso dessa forma. Eu gosto demais de ficar à toa para concordar. Mas entendo essa perspectiva de que sonhar com algo é mais legal que viver o sonho. Já dizia mestre Rauzito: "Gente tá sempre querendo chegar lá no alto pra no fim descobrir já cansado que tudo é tão chato". Como discordar?
Esse planejamento inclui decidir quais rotas seguir, quais cidades conhecer, quais praias aproveitar, quais restaurantes saborear, quais shows assistir… Enfim, existe um cardápio farto em sua frente e você precisa alinhar com aquilo que mais lhe agrada. Passo o poder decisório para ela, já que a diversão dela está garantida nesse trabalho. Só passo minhas preferências. No caso, foram: mínimo de três dias na capital; um rolê pelo sertão; hospedagem sempre perto da praia. No mais, está tudo em casa.
Só que o planejamento desse ano inclui um fator extra que gera estresse: um bebê que estará com nove meses deve ser contemplado. Meu amigo, é mais fácil encontrar um bilhete premiado no chão do Terminal da Praça da Bíblia do que uma hospedagem que esteja preparada para pais de bebês. Achar um dinossauro é fichinha perto de berço no quarto. Se você já tentou viajar com seu filho pequeno, sabe perfeitamente do que estou falando, não?
Como não me preocupo com esse pré, deixo a patroa esquentando a cabeça. Enquanto isso, fico aqui contando os dias para passar um dia inteiro com o pé na areia, me alimentando só de camarão, ostra, cerveja e nada mais.