Sam Cyrous
Goiânia – As nossas salas de aula são com frequência espaços nos quais dezenas ou até centenas de alunos sentam e escutam os professores por loooooongas horas. Hoje, como professor de graduações e pós-graduações, penso se será esse o melhor caminho para o processo de aprendizado. E quando aluno era tão ávido em minhas críticas que alguns professores achavam que eu era hiperativo (e por isso não parava quieto), outros demasiado inteligente (e por isso tão questionador), uma terceira chegou a propor que “alguns alunos da turma” (eu?!) abandonassem o ensino tradicional e viajassem o mundo para adquirir os seus aprendizados.
Nem uma, nem a outra, nem mesmo a terceira! Os anos passaram e as questões se mantém! Como podemos esperar que pessoas tão diferentes estejam sentadas, com livros abertos, escutando-nos com plena atenção por 60 ou 90 minutos (como no ensino clássico) ou por quase 4 horas como nas pós-graduações de formato intensivo de final de semana?
Refletindo sobre isso, me deparei com algumas pesquisas que são, no mínimo, intrigantes. A primeira é de 1976 (sim ’76!). Na pesquisa, analisando minuto a minuto, os autores determinaram que os estudantes precisam de três a cinco minutos para se acalmarem e entrarem no que podemos chamar de ritmo da aula, seguidos de 10 a 18 minutos de foco ótimo. Para depois ocorrer um lapso atencional (sabe aquele momento que parece que estamos voando? com a cabeça nas nuvens?). Claro que a atenção regressaria para entrar no ciclo (3-5 minutos + 10-18 minutos). E essa pesquisa é há 4 décadas! Num momento que nem imaginávamos o imediatismo que as redes digitais nos causariam e, consequentemente — creio! — esses ciclos devem se ter tornado bem menores.
Outra pesquisa de 1985 testou se estudantes se recordavam de conteúdo ministrado em aulas de 20 minutos. E… adivinhe! Efeito de primazia: os estudantes se recordavam da primeira coisa da aula e os restantes quinze minutos era uma zona esquecida!!!
Quando descobri o que tenho chamado de Jeito TEDx de Palestrar percebi o que precisamos fazer. E nem conhecia os estudos! Precisamos, a cada 20 minutos, reiniciar o ciclo 3+15! Claro que podemos colocar professores particulares para cada aluno em sala, vários professores lecionando em simultâneo, ou podemos nós tornarmo-nos professores que inspiram novas ideias. As minhas aulas são divididas em blocos de cerca de 15 a 20 minutos. Quem tiver comigo estudado sabe que numa aula de 4 horas temos 12 conteúdos diferentes (interconexos sim), e todos com uma orgânica muito similar:
Primeiro passo — Começo quase sempre com uma história para prender a atenção dos alunos ao novo tema (sou StoryTeller, o que posso fazer?). Professores precisamos encontrar algo que tenha a ver conosco e que faça o gancho com a realidade de nossos alunos! Tempo total: 2-3 minutos
Segundo passo — Apresento o conteúdo que eu domino, que se relacione com a minha área de expertise e vou construindo isso passo a passo com meus alunos, até chegar num momento no qual por vezes ouço um “Uau!” mais ou menos discreto. E o “uau” não é para mim, é para o fato de eles terem descoberto sem eu dizer com todas as letras — esse é o clímax do conteúdo! Tempo total: 11-15 minutos.
Terceiro passo — A Chave de Ouro que só pode acontecer com uma ideia inspiradora (minha ou de terceiros) que convide os alunos para a ação (seja ação social ou mudança de pensamento ou atitude). Tempo total: cerca de 2 minutos
Mas, é claro, não há fórmulas nem atalhos. Cada um de nós vai aprendendo dos especialistas à sua volta técnicas e modelos que nos podem ajudar a sermos melhores em nossa oratória e retórica inspiradoras. Sem jamais esquecer a regra de ouro da educação: só podemos aprender se estivermos abertos à aprendizagem.
Sam Cyrous é psicólogo, psicoterapeuta de casais e família storyteller, curador do TEDxGoiânia