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O que vai acontecer com a Petrobras

01.06.2018 - 18:37:08
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São Paulo – Pedro Parente ficou dois anos à frente da Petrobras. Caiu nesta sexta, 1º de junho. O que isso significa? Para as pessoas comuns, tudo e nada. Primeiro vamos analisar a situação. Parente pegou a Petrobras numa das piores situações de sua história. Não vamos esquecer que estamos falando de uma empresa gigantesca, pública, que tem praticamente o monopólio do petróleo e seus derivados e que no período recente foi espoliada. Do gás de cozinha à gasolina, a Petrobras controla tudo. Controla até o álcool, mesmo sem plantar um pé de cana. Ou seja, toda a cadeia está sob esse domínio. Isto posto, apenas o fato de evitar desvios já melhoraria a situação. Adotar uma política de reajustes de acordo com as variações internacionais então, é o que todo presidente da Petrobras desejaria. O que estou querendo dizer? Que reverter os resultados negativos não requeria assim muito esforço e competência.
 
A saída de Parente, a rigor, deve deixar tristes os acionistas e aqueles que lidam com o mercado de ações. Para a população, a empresa rigorosamente trabalhava como se estivesse na Suíça. Se houvesse um ambiente de pleno emprego, com renda circulando, com uma economia a pleno vapor, essa política de reajustes nem seria notada. Mas não estamos. Faltou ao Parente perceber para onde ia o barco. A crise produzida pelos caminhoneiros apenas evidenciou isso. Claro que por trás havia muita gente interessada na paradeira do País, por motivos econômicos e políticos, desde donos de empresas que dominam o mercado do frete a alguns partidos e movimentos políticos dispostos a criar um ambiente de caos ainda maior.
 
Bem, então a saída do Parente é boa para a população em geral? Não. Vai depender da nomeação do próximo presidente e da quase incontrolável vontade do governo federal em usar os preços dos combustíveis para tentar reverter os irreversíveis índices de popularidade que acometem sua gestão desde o primeiro dia. Não devemos esquecer que estamos em ano eleitoral. É uma tentação baixar os combustíveis, tabelar – como foi feito com o diesel -, fazer reajustes de forma popularesca e tentar agradar o povo, mesmo que isso eventualmente interfira na política de preços ora estabelecida. A economia certamente melhora, mas é algo artificial, em prejuízo da saúde financeira da empresa. Mas é preciso que se destaque o fato de que a empresa caminhava para recuperar sua reputação e estratégica posição no mercado nacional e internacional. Tudo isso pode estar em jogo agora.
 
O melhor caminho seria a escolha de alguém técnico, longe do cenário da política, numa definição que primasse pela competência e critérios fora da política. O melhor caminho seria buscar um modelo alternativo de reajuste. Não se pode ter a insensibilidade de não ver o que está havendo ao nosso redor. Com preços estratosféricos e que oscilam dezenas de vezes por ano, não há quem consiga planejar. Nem a grande empresa nem o pai de família que planeja ir para a praia de carro. A equação, claro, é muito difícil. Por ora, os efeitos negativos dessa saída, no intervalo de um feriadão, ficarão com o mercado de ações e com acionistas e especuladores. De todo modo, não se quer à frente da Petrobras nem um maluco nem um inconsequente. Mas, convenhamos, ninguém é insubstituível.
 
A busca por um meio alternativo e racional de reajuste e a escolha de um nome mais perto do consenso técnico é, sem dúvida, o melhor caminho. Nunca é demais lembrar que a Petrobras sofreu muito no passado com a sua manipulação política, de cargos e preços. Naquele período fizerem todo tipo de maracutaia, para um usar um termo daquela época. Manipularam os preços politicamente, desviaram recursos, favoreceram empreiteiras, distribuíram dinheiro e cargos a políticos, parentes e amigos. A Petrobras se afastou completamente de sua atividade fim, comprou micos como Pasadena, meteu-se em obras questionáveis e completamente fora dos preços de mercado. Agora, com a saída de seu presidente e levando em conta a falta de credibilidade do governo, é tentador voltar a usar esse modelo intervencionista. Deixo aqui um conselho ao governo: mexa na estrutura dos impostos sobre os combustíveis. Há em economia uma teoria segundo a qual baixar impostos pode representar aumento de arrecadação. Com imposto menor, o preço cai e o consumo sobe e há o efeito da compensação, que inclusive pode ajudar a economia como um todo.
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por Eleno Mendonça

*Jornalista, consultor de imagem e diretor da Eastside23 Comunicação Corporativa

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