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O Réveillon sem táxi

02.01.2014 - 16:42:31
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Um amigo foi passar o Réveillon no Bolshoi Pub. Como a maioria nessa data, optou por encher a cara como se não houvesse amanhã. Naturalmente, essa é a forma mais divertida de entrar em um ano novo: som legal e bebida farta. Consciente, pegou uma carona para ir e iria de táxi na volta. Isso mesmo: iria. Ele não sabia que seria mais fácil rebaixar o Fluminense do que conseguir uma condução que o levasse de volta para casa.

Infelizmente, esse tipo de relato é rotineiro em Goiânia. Desde quando tivemos a decisão correta de endurecer a fiscalização da chamada lei seca, gente demais se frustra com o serviço dos táxis em nossa capital. Uma galera liga e sequer consegue falar na central. Quando consegue falar, o tempo de espera pode ser para lá de desanimador. Os veículos não passam nas ruas procurando passageiros. Os motoristas querem fazer viagens a preço fechado, sem ligar o taxímetro. Os problemas são vários.

Isso sem falar na precariedade de nosso serviço de transporte coletivo. Não termos várias e várias linhas 24 horas é o fim da picada. Afinal de contas, quem não tem grana para pegar o táxi também tem o direito de sair, beber e voltar para a casa.

Sei bem o que é isso. Quando moleque, perdi as contas de quantas vezes fiquei na rua esperando o primeiro ônibus das cinco da manhã. Isso quando não voltava caminhando de distâncias maiores que a Rodovia dos Romeiros. Era outra Goiânia, era outro Pablo. Hoje não é recomendável ficar no ponto por questões de segurança. Hoje não tenho mais a saúde de tempos atrás.

A popularização do serviço de táxi em Goiânia depende do aumento brutal no número de licenças concedidas. Um interesse corporativista não pode ser maior que o interesse de toda sociedade. Assim como a fiscalização deve ser intensificada para que laranjas não sejam usados e somente quem quer de fato trabalhar seja dono do táxi. Além disso, estabelecer uma quilometragem mínima a ser rodada por dia, para que não fiquem veículos na garagem e sim rodando pelas ruas.

Não podemos mais contar com um serviço tão precário e que, no fundo, é crucial para um trânsito mais humano. Quanto mais eficiente e barato o serviço de táxi, menos bêbados estarão dirigindo por nossas vias. Se queremos ruas mais seguras, precisamos de táxi farto, sem estresse para conseguir, sem preço exorbitante e também sem risco para a segurança do trabalhador que passa a noite no volante. Não tenho dúvidas de que será melhor para todos.

Ah, sobre meu amigo que estava na porta do Bolshoi, você não acredita como ele conseguiu voltar para casa: encontrou uma ex-namorada saindo da festa e ela o deixou em casa. Pense no climão que começou o 2014 do cara…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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