Recentemente conheci duas pizzarias de Goiânia que estão há pouco tempo no mercado. Vou poupar os nomes pois não quero detonar o negócio de ninguém e nem recebo para elogiar ninguém. Ficar na minha é o mais prudente. Inclusive, a arte que mais admiro ultimamente é a de ficar na sua. Mas isso é papo para outro coluna. Voltando a falar sobre as pizzarias, ambas são muito bem localizadas, em regiões nobres da cidade. Ambas são muito bem frequentadas, pois os valores cobrados não são populares. Ambas deram uma timbrada boa no visual, o que deixa tudo sempre mais legal. Contudo, enquanto uma entrou na minha lista de preferidas e voltarei lá mais vezes, outra me fez pensar na minha própria existência: será que vale mesmo viver para ver isso?
A diferença de uma para a outra é simples, porém decisiva: a ambientação. A que adorei, estava rolando um som em altura decente, conversável e daquele tipo que não incomoda até mesmo quem não curte os estilos (o que não é meu caso) – jazz, blues, MPBzinha do barzinho… Ou seja, aquele som que compõem o fundo perfeitamente. Já a outra execrável tocava um DVD da Shania Twain (que só descobri que era ela por conta de um hit gigantesco que ela tem e eu conhecia) em altura superior aos recomedáveis pela OMS. Traduzindo o que vivi, certamente Auschwitz foi mais prazeroso do que comer com a cantora country nos ouvidos.
Essa situação me fez refletir o quanto um detalhe pode colocar todo investimento em risco. O diabo mora nos detalhes, já diz o velho ditado. E o diabo daquela pizzaria era uma música insuportavelmente ruim em um volume insuportavelmente alto. O cara acertou no cardápio, mandou bem na carta de vinhos, caprichou no clima visual, usa excelentes produtos na sua pizza que ressalta o sabor final, foi criativo na criação do espaço infantil, mas… (e aí que a vaca foi para brejo) apostou em um DVD totalmente equivocado da, repito para você entender o drama, da Shania Twain. O resultado final não tinha como ser positivo.
Nessas horas, me recordo de um antigo ditado chinês que diz que o fácil é o certo. Se não manja de som o suficiente para tentar dar uma cara diferenciada no ambiente, vá no óbvio que não tem erro: bossa nova no som. Você não vai ser revolucionário, mas não vai irritar ninguém, como foi o caso. E o cliente voltará mais vezes ao seu estabelecimento, como não será o caso dessa infame pizzaria.