Saiu o resultado das eleições estadunidenses e foi confirmada a vitória do presidente Barack Obama. Eu estava torcendo por ele. Muito mais pelo aspecto simbólico do que prático. Por mais quatro anos, teremos o democrata à frente da Casa Branca e, por conseguinte, sendo o homem mais poderoso do planeta. Seu sorriso fácil e discursos empolgantes serão figuras rotineiras nos noticiários mundo afora. Mas, na boa, e o Quico?
A real é que a presença de X ou Y (não existe a possibilidade de termos o Z apesar dos 143 candidatos à presidência dos EUA por conta da lógica senão bipartidária do sistema eleitoral do Tio Sam, mas que na prática só permite candidatos de dois partidos chegarem lá) não muda muita coisa para o Brasil. Uma preferência por um acordo bilateral aqui, uma queda de barreira comercial ali, um aceno mais efusivo à Dilma acolá e ponto final. No grosso, segue a mesma trilha.
Por exemplo, o que mais interessa aos brasileiros hoje é a queda do visto prévio para a entrada em território americano. Isso vai acontecer e não é porque queremos. Na verdade, será para agradar o Estado da Flórida. Pergunte para o cidadão comum de Miami o que ele acha de nossos compatriotas. O cara será só sorriso. Não é para menos. Os brasileiros atualmente derramam dólares e dólares no mercado da península. Seja em compras, seja em entretenimento, seja em imóveis. A exigência do visto irá cair não é porque somos legais, mas sim porque nosso dinheiro dá vida à economia de um importante estado.
Na eleição de 2004, torci como nunca (afinal, não podemos fazer nada além disso) para a eleição de John Kerry contra a tentativa de segundo mandato de George W. Bush. Escrevi artigo, me manifestei no Orkut, fiquei preocupado com a situação. Tudo em vão. Bush filho foi reeleito. E sabe o que mudou diretamente na minha vida e dos demais brasileiros? Praticamente nada. A partir desse momento, percebi que a atenção que dispensamos à eleição dos EUA é desproporcional aos efeitos reais e práticos que o resultado pode nos acarretar.
Acho que a diferença capital ente ambos é que os democratas ficam ao menos constrangidos em não construir um discurso em prol de questões ambientais, antibelicista e em defesa de benefícios sociais. Os republicanos, não. São explícitos ao dizer que não acreditam nessa forma de sociedade. Não quer dizer que a prática será muito distinta em qualquer um dos lados. Guantánamo está aí com quatro anos de governo Obama para não me deixar mentir. Embora as tropas tenham sido retiradas do Iraque, a treta no Afeganistão continua rolando. No final das contas, para nós, em terras tupiniquins, elefante republicano ou burro democrata no poder dá no mesmo fim.