O ministro do Esporte, Orlando Silva, enviou
pessoalmente e assinou de próprio punho, no fim de 2006, dois ofícios
endereçados ao policial militar João Dias Ferreira, delator do esquema
de fraude na pasta, liberando material esportivo para a entidade dele
que coordenava o Programa Segundo Tempo no Distrito Federal. “É com grande
satisfação que autorizo o encaminhamento à Vossa Senhoria de materiais
esportivos confeccionados em penitenciárias brasileiras e em comunidades
reconhecidamente carentes”, disse o ministro no ofício 3099 de 30 de
outubro de 2006. Hoje, o ministro classifica João Dias de “bandido” e
“criminoso”.
Naquele dia, foram liberados 5 mil calções, 5 mil camisetas, 5 mil
bonés, bolas e redes para a ONG do policial. No dia 13 de dezembro do
mesmo ano, um outro ofício, de número 3373/2006, também assinado por
Orlando Silva, reitera o anterior e acrescenta a liberação de mais 100
camisetas do Programa Segundo Tempo. Os dois ofícios mencionam o nome de
João Dias e a Associação João Dias de Kung Fu-Desporto e Fitness, com
sede no DF.
O ministro e sua equipe no ministério acusam João Dias de fraudar a
execução e a prestação de contas do projeto. Na época dos ofícios, o
policial militar tinha contrato para aplicar o Segundo Tempo no DF. O
convênio mencionado nos documentos recebeu cerca de R$ 922 mil. A
reportagem procurou a assessoria do ministério para explicar os motivos
desses ofícios, mas não obteve retorno até a tarde de hoje. (Agência Estado)