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Os 10 anos do jornal A Redação

20.07.2021 - 08:00:05
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Carla Lacerda

Goiânia – “Lançar um jornal é como lançar um transatlântico na água. Qualquer má decisão, ele afunda”. A afirmação está longe de ser de um marinheiro de primeira viagem. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), João Carlos Arruda Unes, 51 anos, iniciou a carreira como repórter no Estadão, um dos maiores periódicos do país.

De grandes furos, que envolveu o deslocamento até de helicóptero para descobrir para onde o então ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (FHC) havia ido pós-votação em 1994, até implantar o primeiro jornal totalmente digital em Goiás, A Redação, em 2011, João tem registrado no currículo – da vida e profissional – uma série de habilidades.   

 
Foi bem antes dos 18 anos que Unes já conseguiu colocar na bagagem a experiência de morar fora do Brasil. O irmão mais velho, Wolney Unes, 59 anos, estava na Áustria para uma temporada de estudos. O ano era 1989. “O João tem um talento que é alucinante”, confidencia o primogênito. “Quando ele chegou na Áustria, eu tive que viajar. Depois de cinco dias, volto, e ele já está conversando em alemão no refeitório com amigos”, ilustra Wolney, sobre a facilidade do caçula em aprender idiomas.
 

João Unes (Foto: Letícia Coqueiro)

A relação entre os dois irmãos, filhos de pai imigrante libanês e mãe goiana, teve também convergências profissionais. Eles trabalharam junto em um jornal impresso: Wolney assinou uma coluna durante muitos anos sobre língua portuguesa; João começou como editor de capa, assim que decidiu deixar o Estadão para voltar para Goiânia, e alcançou o posto mais alto no veículo de comunicação: editor-chefe. 
 
A gênese inovadora do jornal A Redação, que lança no Centro-Oeste o conceito “digital first”, em que o on-line é protagonista do processo e não um mero agregador de notícias que saem primeiro no papel, tem muito a ver com o perfil de João e Wolney. E tem também o DNA de mais um integrante da família: o primo Bruno Martins Arruda Hermano, 45 anos.
 
“Tinha vontade de fazer parte de um projeto mais moderno, on-line, pois percebia que, em Goiânia, muitas pessoas consumiam notícias pela internet, principalmente com o uso de celular, e tablet”, relembra Bruno Hermano, primeiro editor-chefe do AR.  “Começamos a planejar esse veículo e a estudar a estrutura e o foco”, complementa o jornalista, também formado pela UFG, com MBA em marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outra série de certificações, como master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais. 
 

Bruno Hermano (Foto: Divulgação)

 
“Fizemos a opção pelo jornalismo livre, sem cobrar assinatura, queríamos informar a todos, e não somente a um clubinho. O espírito da internet é livre, precisamos cumprir também nossa função social”, assinala João Unes sobre o “paywall”, termo em inglês que significa conteúdo acessível apenas para assinantes. Nesses 10 anos, o AR nunca aderiu ao paywall. 
 
Assim, do transatlântico em meio à imensidão do "mar" a ser desbravado, três sócios – João, Wolney e Bruno – lançam A Redação: o primeiro jornal em Goiás pensado especialmente para mídias digitais. 
 
Selva de informações

Início da década passada e uma coisa era certa: todo mundo se arvorava a ser divulgador de fatos, principalmente com a facilidade se de ter um celular à mão. “Os leitores passam por esse momento em que se deparam com uma selva de informações, em que precisam saber o que é crível ou não”, compara Wolney Unes.
 

Wolney Unes (Foto: Letícia Coqueiro)

Desde a fase de planejamento, os sócios do AR sabiam quais ferramentas usar para superar esse terreno arenoso. “O talento e a credibilidade dos nossos jornalistas são nosso maior patrimônio”, diz trecho da aba “Quem Somos”, no site do jornal. 
 
“Quando o projeto começou a sair do papel, observamos e buscamos os melhores profissionais que atuavam no mercado. Sempre priorizamos o conteúdo, o bom jornalismo”, destaca Bruno Hermano. 
 
“Se tiver que investir em ferramenta que aumenta algoritmo ou em um grupo de jornalistas, fico com a segunda opção”, afirma João Unes. “A geração de conteúdo é a nossa maior riqueza”, complementa. 
 
Mesma opinião compartilha Wolney: “A partir do momento que você coloca a assinatura de um editor, 'eu gosto de usar esse termo editor', você dá a garantia da checagem. Anônimo não tem compromisso com nada”, reforça ele, que tem uma formação multidisciplinar: graduação em Engenharia Civil pela UFG, mestrados em Linguística (Universitaet Mozarteum, na Áustria), e Arquitetura e Urbanismo (Universidade de Brasília – UnB), e doutorado em Letras (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho).  

Aliás, essa perspectiva mais holística de Wolney deu uma grande contribuição ao jornal A Redação

As belezas do Brasil Central

“O João é de gente”.
“Eu, de papel”.
“Ele é de conversar”.
“Eu, organizar”.
“Mas temos algo em comum: a curiosidade e a vontade de mostrar o Brasil Central para o mundo”.
 
Na última sala do condomínio JBW, que abriga a sede do AR e está situado à Rua 94, no Setor Sul, em Goiânia, Wolney Unes fala sobre como habilidades complementares, e uma mesma paixão, fazem um negócio dar certo e alcançar 10 anos de “navegação” com a bússola completamente ajustada.
 
“Eu fico com a parte de comunicação mais perene e especializada. Investimos muito em dinamizar a cultura da nossa região e do Brasil”, pontua, ao listar uma gama de produtos oferecidos pela JBW – o nome da empresa leva as iniciais dos três sócios, João, Bruno e Wolney –  à sociedade.
 
Entre eles, manuais, obras e artigos especializados, inclusive com tradução em inglês, foram lançados, como a revista sobre o tradicional Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica) e o livro que conta os 50 anos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). 
 
Com tanta expertise, bagagem intelectual e cultural dos três sócios – olha que até agora não havia citado o currículo completo de João Unes, que inclui títulos master em Estratégias e Gestão de Empresas de Mídia pela Harvard Business School, dos Estados Unidos, e em Comunicação pela Universidad de Navarra, Espanha -, dá para imaginar quão a sério eles levaram a tarefa de contratar profissionais para trabalhar no AR.    
 
A busca por talentos

“Com a popularização das plataformas digitais, muitas pessoas se aventuram no ramo de jornais sem o devido cuidado com essa operação, que é muito complexa”, diz João Unes. Tão complexa e singular que, novamente, cabe aqui a analogia com o transatlântico. Assim como o almirante, ao longo do dia, precisa checar uma infinidade de itens, e ainda tomar outra centena de decisões, o dono ou o editor-chefe de um jornal não tem uma missão menos árdua ou extenuante.
 
Na estrutura do AR, os sócios foram criteriosos com as contratações, a começar pelo nome daquele que chefiaria o departamento comercial: Sérgio Paiva. Formado em Administração de Empresas pela PUC-Goiás e com especialização em Planejamento Estratégico em Marketing pela FGV, o profissional já tinha muita experiência no mercado quando foi convidado por João, num happy hour, para assumir a nova função. 
 
“Gostei muito do projeto, porque saía do tradicional e ia para uma área em que eu já atuava, na comunicação digital”, relembra Paiva. “Além disso, a proposta de um jornal sem impressão ia ao encontro do que defendo em termos de sustentabilidade”.
 
Ideais afinados, era a hora de se transformar, por um tempo, “no homem da pastinha”. Paiva tinha inúmeras conversas e reuniões com futuros parceiros, empresários, clientes, anunciantes e patrocinadores. Não era fácil ser pioneiro em 2010. O mercado publicitário, e o jornalístico até, não via com bons olhos o desenvolvimento da era digital, que carecia, ainda, de legislação específica sobre o assunto. 
 
Para suplantar mais esse obstáculo, nova estratégia – traçada e executada. O jornal A Redação começou a realizar o que batizou de Conferências de Mídias Digitais (Midi). Com quatro edições, o evento reuniu especialistas de renome nacional e internacional para debater temas como as agências de comunicação do futuro, impacto das redes socais, entre outros.
 
“Já faz tempo que o AR deixou de ser um veículo regional. Ele tem expressividade no Brasil e até fora dele”, registra o diretor comercial, ao mostrar relatórios que apontam acessos diários de leitores dos EUA, Europa e Ásia, rota de migração de muitos brasileiros. “Nosso público hoje está, majoritariamente, nas regiões metropolitanas das principais capitais do país”.
 
Um jornal globalizado, que nasce à frente do seu tempo, exibe também um perfil de vanguarda na área de Tecnologia de Informação (TI). “O AR sempre teve um conceito de jornalismo mais acentuado, com coberturas, principalmente, das áreas de política e cidades”, descreve Renato Naves de Oliveira, empresário de TI e sócio da Rede Empresarial, parceira da equipe da JBW desde o início. “Isso reflete em um design mais moderno, clean, com fundo branco, sem excesso de informações, e também com elementos que remetem à veia jornalística do AR, como as fontes com serifa”, exemplifica.
 
A Redação
“Tem muito conceito nesse nome”. Foi assim que Unes, o caçula, falou sobre o motivo que levou à escolha de batismo do primeiro jornal exclusivamente digital de Goiás.  “O ‘A’ já mostra que é uma redação diferenciada, que prestigia seus profissionais, o trabalho intelectual e o jornalismo de qualidade”, explica João. Ele continua: “A partir da reunião de jornalistas, surgem as grandes pautas e reportagens. Ninguém tem uma grande ideia sozinho”.
 
Nesse sentido, o AR também cumpre sua missão. Em uma década, excelentes jornalistas, com estilos diferentes, mas sempre preocupados com a checagem apurada dos fatos, passaram pelo “A” Redação. Natural, portanto, que o reconhecimento viesse à galope, seja por meio do crescente número de leitores, anunciantes e prêmios.
 
No último dia 7 de julho, por exemplo, o AR foi premiado entre os três veículos mais influentes da web em Goiás, pelo nono ano consecutivo, segundo levantamento feito pela Contato Comunicação. Prêmios jornalísticos são mais de 20 ao longo dos últimos dez anos, entre regionais e nacionais, tanto em categorias de texto quanto fotojornalismo. 
 
“Nosso compromisso com a verdade nos coloca em posição de destaque entre os veículos de comunicação feitos para o digital. Nada é publicado por nossa equipe sem ser checado antes. Isso é motivo de orgulho para todos nós”, diz Adriana Marinelli, editora-chefe do jornal A Redação

O que hoje é dito por Marinelli em entrevistas foi algo que ela sempre ouviu quando cruzou pela primeira vez, não a porta, mas o portal (em razão do tamanho mesmo) azul que dá acesso ao jornal A Redação. Formada em Jornalismo pela Faculdade Alves Faria (Alfa), em 2011, aos 20 anos, Adriana entrou como estagiária no mesmo ano em que o jornal digital era lançado. 
 
“No AR, mergulhei de cabeça no meio digital. É um formato do jornalismo que é apaixonante. O dinamismo e o imediatismo do digital encantam”, afirma Adriana. “Nossa equipe prioriza a informação real, sem suposições. Só publicamos quando, de fato, confirmamos a notícia, e isso ajudou a construir a credibilidade que temos hoje”, complementa a editora-chefe.
 

À esquerda, Adriana Marinelli, e à direita, Mônica Parreira,
editoras do AR (Foto: Divulgação Pessoal)

Quem também tem história parecida no veículo de comunicação é a jornalista Mônica Parreira. Assim como Adriana, ela entrou como estagiária no jornal e hoje ocupa o cargo de editora. “O jornalismo digital me mostrou, na prática, como nós precisamos ser profissionais multieditoriais. É necessário ter habilidade para escrever sobre vários assuntos, cidades, política, cultura”, salienta Parreira, egressa da turma de 2013 da PUC-Goiás. 
 
Mônica ressalta outra característica requisitada do jornalista do século 21: “o ser multimídia”, que exige do profissional conhecimento e desenvoltura em áreas afins como fotografia e vídeos.
 
E o que esperar do futuro? 
 
Pra quem é acostumado a vislumbrar horizontes, a resposta vem sem titubear.
 
“Buscar inovação, sem perder de vista a reportagem”.
 
Para João Unes, lugar seguro mesmo não é terra firme, não é mar. É algo que ele já percebeu que não consegue viver sem e que, mesmo para um poliglota, a simplicidade de duas letras enche o coração de alegria…
 
AR.
                                                                                                                   

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por Carla Lacerda

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