Goiânia – Tem celular que toca perto de mim e o pânico se instaura em meu ser. Se esse mero contato casual já me desespera, imagine você carregar esse infortúnio no bolso o dia inteiro. E ouvir aquela sandice incontáveis vezes. Juro que refleti, mas não consegui chegar a uma hipótese plausível para uma pessoa fazer isso com ela mesma. Por que diabos o infeliz não troca aquele maldito toque que é uma verdadeira afronta ao bom senso? Eis a questão.
Os toques engraçadinhos merecem começar os exemplos desse texto. Se ao ouvir a mesma piada pela segunda vez, só rimos para não causar constrangimento ao amigo metido a Ary Toledo, pense aguentar o mesmo gracejo inúmeras vezes por dia. É de enlouquecer gente sã. E tem gente que ainda consegue rir da anedota toda vez que seu próprio telefone chama. Na boa, deve ser algum sério problema mental.
Os estridentes também são péssimos. Aqueles que começam com uma guitarra alta, um grito ou um barulho impactante deveriam ser proibidos por lei. São um atentado à saúde pública. Se um cardíaco toma um susto por conta de um toque desses e sofre um enfarto, não tenho dúvidas de que o dono do aparelho deveria ser responsabilizado. Quando você trabalha com alguém que tem um aparelho com esse tipo de toque, a impressão que dá é que cada vez que chama, sue chefe entrará na sala e lhe pagará um tremendo sapo. Deveríamos receber insalubridade por trabalhar em um ambiente com esse grau de risco.
Não posso me esquecer dos que se parecem com outra coisa. Por exemplo, o toque é uma freada de carro. Aí você está no trânsito dando carona para um amigo. Ligam para ele e você imediatamente já espera a batida. E o cara atende o telefone despreocupadamente. É de matar. Nessa categoria também entram as sirenes, vinhetas de rádio e barulhinhos de computador. Todos iludem (e irritam) na mesma proporção.
Mas é inegável que o título, o alto do pódio, vai para o toque que é uma música que a gente gosta. Basta você colocar aquela música que ama no seu celular e em três dias a estará odiando. Quando é no seu celular, ainda é fácil de resolver. O problema é quando a música que você gosta está no aparelho de um colega do trabalho. E o maldito tem a mania de sair da sala e deixar o telefone ao lado do computador. É mais certo que Deus no céu que o telefone tocará e você ficará escutando (e pegando raiva) da música que você gosta (gostava?) por longos e dolorosos minutos. Quebrar celular tocando que o dono não está perto poderia deixar de ser crime.
Nunca me esqueço de um amigo que tinha comportamento exemplar. Seu celular sempre ficava no silencioso. E ele atendia o aparelho somente por conta da vibração do mesmo em seu bolso. O ápice de elegância. Pena que gente assim não é encontrada em qualquer esquina.
E você, caro leitor, qual o tipo de toque que lhe torra a paciência? Mande ver aí nos comentários, por favor!