Logo

Os sentimentos da aprendizagem

03.03.2019 - 11:22:55
WhatsAppFacebookLinkedInX

Na área educacional comenta-se muito sobre os processos de ensino, novas metodologias, inovação digital, conteúdos e projetos. Porém, existe algo muito importante que é pouco mencionado e trabalhado, que é o gerenciamento emocional dos sentimentos dos alunos e até dos professores, na caminhada da aprendizagem.
 
Segundo estudos do autor Guy Claxton, da Universidade de Bristol, a escolha de aprender ou não aprender é algo elaborado e bastante complexo. O cérebro pode responder de diversas maneiras a relação entre estudante e aprendizado e na maioria das vezes não vemos esses fatores de maneira clara e consciente, não compreendemos nossos próprios sentimentos e consequentemente nossas atitudes em relação à aprendizagem.
 
As pessoas costumam reagir de maneiras diferentes às mesmas imposições ou situações de aprendizagem. Alguns estudantes entram em processo de fuga, não querem ser notados, não querem aparecer, ser questionados. Outros, por se depararem com dificuldades em entender algum conteúdo, podem entrar em uma atitude de luta,  tornando-se agressivo. Outros se sentem angustiados, incapazes. Alguns preferem nem tentar, ao receber um novo conteúdo, já dizem: “Não consigo, não posso fazer”.

Há também aqueles que entram em processo de desatenção, querendo demonstrar uma “não preocupação”, ou pouco caso para determinados conteúdos. Há ainda os que guardam tanto seus medos e angústias que acabam ficando com uma grande tensão e pressão interna. E existem tantos outros sentimentos como medo, vergonha, que se não trabalhados ou ao menos reconhecidos pelos estudantes, mas que podem afetar de maneira drástica o gosto e a vontade de aprender.

 
Os sentimentos bons também precisam ser reconhecidos e instigados, como a crença em si, a resiliência, a persistência, o prazer em se descobrir coisas novas. Essas questões, apesar de relegadas a segundo, terceiro ou talvez quarto plano, são extremamente importantes para nossos estudantes. Vivemos em mundo agitado, onde as informações correm rápido, com um mercado exigente e muita pressão em relação aos estudos e a construção de carreiras. E nossos estudantes muitas vezes não sabem lidar com essas situações, não sabem filtrar e acabam desenvolvendo crises de ansiedade e pouca autoestima, o que, infelizmente pode resultar em casos crescentes de depressão.
 
Portanto, se faz necessário um olhar sério para o trabalho com a inteligência emocional e com os sentimentos envolvidos no processo de aprender. É preciso primeiramente nos reconhecermos no mundo e aprendermos a lidar com suas múltiplas adversidades, para depois tentar fazer dele um lugar melhor. E tudo isso são objetivos inerentes à educação.
 
*Vanessa Queirós Alves é professora e tutora do curso de Pedagogia no Centro Universitário Internacional Uninter e pedagoga na rede estadual de ensino do Paraná.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Vanessa Queirós Alves

*

Postagens Relacionadas
José Israel
28.02.2026
Canetas emagrecedoras e pancreatite

O debate em torno das chamadas canetas emagrecedoras ganhou um novo e relevante capítulo com a divulgação, por parte da Anvisa, de dados sobre casos suspeitos de pancreatite e óbitos potencialmente relacionados ao uso desses medicamentos no Brasil. Embora os números ainda não permitam conclusões definitivas, eles desempenham um papel crucial ao acender um alerta […]

Mara Pessoni
28.02.2026
É possível solicitar um visto para os EUA apenas para assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo?

É perfeitamente possível solicitar o visto americano para assistir a apenas um jogo da Copa do Mundo de 2026. Na verdade, grandes eventos esportivos são motivos comuns e legítimos para viagens de turismo. Como você já atua na área de imigração, sabe que o desafio não é a justificativa em si, mas a demonstração de […]

Roberta Muniz Elias
27.02.2026
Infância Sem Atalhos: Proteção Total

Diante da ampla repercussão pública nos últimos dias sobre o julgamento no TJ/MG, a proteção da dignidade sexual de crianças e adolescentes voltou a ocupar o centro do debate. Decisões judiciais que, de forma equivocada, tentaram relativizar a aplicação do art. 217-A do Código Penal – dispositivo que tipifica o estupro de vulnerável – suscitaram […]

Décio Gazzoni e Antônio Buainain
25.02.2026
O papel do engenheiro agrônomo na realidade contemporânea

O Acordo entre o Mercosul e a União Europeia significa um marco histórico nas trocas comerciais no mundo, pela amplitude de países, população e valores financeiros (PIB e trocas comerciais) envolvidos. É um exemplo acabado da realidade comercial contemporânea. Do ponto de vista da União Europeia, as vantagens apontam especialmente para uma abertura de mercado […]

Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]