Goiânia – O Governo só pode achar que todo brasileiro tem RG, CPF e uma árvore de dinheiro no quintal. Não é possível tanta sanha para cima do nosso suado orçamento. Os caras tentam morder uma fatia de sua renda de tudo quanto é lado. Da paçoquinha que compramos sem ter vontade no sinaleiro só para ajudar o cara debaixo do sol à nossa sonhada casa própria, o Estado leva uma parcela. Sem choro e nem vela. Créu.
Agora vão encher as rodovias federais de pedágio. Não é possível. É um acinte pagarmos mais qualquer centavo para algo que nos oferece um serviço tão porco. Se você fizer um bate e volta em Brasília a partir de 2015, ficará R$ 10,40 mais pobre. Você acha pouco? Eu não. Para mim é uma fortuna se somarmos ao um terço do total de minha renda que já vai para o cofre público. Eu não quero dar para eles mais nenhuma moedinha.
Pagamos impostos de social-democracia europeia e temos serviços públicos africanos. A real é que passou da hora de escolher o que queremos para o Brasil: ou vamos para o modelo liberal norte-americano com cortes brutais nos impostos e aí é cada um por si (quem quer qualquer coisa, que pague por isso); ou vamos manter esse padrão alto de impostos mas oferecendo serviços públicos que realmente atendam a todo cidadão que necessite.
O que acontece atualmente é a bitributação na cara dura. Pagamos escola pública e a particular para nossos filhos; pagamos a manutenção do hospital público e também o plano de saúde; pagamos a segurança pública e temos que morar em prédios ou condomínios horizontais para que não levem tudo de nossas casas; pagamos para que as rodovias fiquem bonitonas e também os indecentes pedágios. Não dá. É muito abuso.
A ineficiência da máquina pública brasileira é de deixar boquiaberto: tudo na mão do Estado fica mais caro e pior do que se pagássemos. As razões disso são temas de teses e dissertações mil nas universidades de norte a sul desse Brasil. As consequências (ou seja, o dinheiro que cada vez mais querem tirar de nosso bolso) é que não devemos mais aceitar.
Eu não sou contra imposto. Para bancar a maquina pública é preciso dinheiro de todos cidadãos. E em uma lógica de arrecadação proporcional, é claro: quem tem mais, que pague mais. Sonho com o Estado de bem-estar social da Europa Ocidental. Pagaria feliz meus altíssimos impostos com aquela qualidade de vida no Brasil.
O que uniu as pessoas nas ruas em junho foi essa insatisfação com algo maior que envolve o setor público no Brasil, essa máquina gigante de desperdiçar dinheiro – o nosso dinheiro. Parece que Bezerra da Silva é quem estava certo: essa baderna no Brasil só acabará quando morcego doar sangue e saci cruzar as pernas.
A chegada dos pedágios a Goiás é só mais um tijolinho nessa parede da revolta contra a inoperância do ente público. O problema é que essa construção já está do tamanho da Muralha da China.
Eu quero saber é quando a casa vai cair e não vamos mais deixar passarem a mão na nossa bunda exposta na janela.