Demorei alguns dias pensando no cenário apontado pela pesquisa Datafolha divulgada no início dessa semana. A competitividade eleitoral de Marina Silva não pode ser considerada uma surpresa, já que isso era apontado anteriormente, antes de ser confirmada sua posição de vice na chapa encabeçada por Eduardo Campos.
Mas, naquele momento, estávamos longe das eleições e o cenário era meramente especulativo. O que é bem diferente do que vivemos agora, a pouco mais de 40 dias do primeiro turno. Uma disputa de segundo turno entre Marina e Dilma Rousseff é absolutamente factível e tal hipótese não pode ser desprezada.
Sei que ainda é cedo para cravar isso e que acabamos de dar início às campanhas de rádio e televisão. Ainda há muita lenha para queimar. Marina pode desidratar. Aécio Neves pode se beneficiar com isso e ir para a disputa contra Dilma no segundo turno fortalecido. Contudo, insisto, seria leviano deixar de considerar Marina em uma disputa mano a mano com a presidenta que pleiteia a reeleição.
Caso esse cenário realmente aconteça, uma pergunta não para de fermentar em minha cabeça: qual caminho seguirá a direita brasileira? Confesso que não sei responder. Talvez você possa me ajudar a clarear as ideias.
O que falará mais alto: o ódio ao PT ou o preconceito à cabocla amazônica, evangélica e defensora do meio ambiente? A vontade de tirar o partido da estrela vermelha de Brasília ou o medo de eleger uma pessoa vista com muita reserva por setores relevantes do PIB brasileiro, como o agronegócio, por exemplo? Respostas, por favor, nos comentários.
Acredito que pelo conservadorismo histórico, Dilma tende a levar vantagem. Quando a direita colocar na balança se é pior a desgraça já conhecida ou a desgraça que não se sabe como agirá, chuto que a primeira opção será preponderante. Deixando bem claro que para essa parcela da sociedade brasileira, as duas hipóteses se caracterizam como desgraça. E deixando mais claro ainda que isso não passa de exercício fajuto de futurologia de minha parte.
Será engraçado ver como esse eleitorado irá justificar seu posicionamento em um cenário como o que descrevi acima.
Por isso que a aposta para garantir a presença de Aécio no segundo turno será cada vez mais alta. E, quando há risco de ficar de fora da disputa final (no caso tucano) ou de perder o poder (no caso petista), a corrida eleitoral costuma ficar para lá de agressiva. Não se surpreenda com golpes abaixo da cintura. Eles certamente irão ocorrer.
Pode anotar: será uma campanha proibida para menores de 18 anos.