Já escrevi algumas vezes aqui que me mudei de casa há quase
dois meses. Narrei algumas dificuldades que tive nesse processo e encontrei
reverberação nos leitores – parece que todo mundo sofre absurdos descabidos
quando precisa de determinado tipo de serviço durante essa transição. Mas
dentre todas as canseiras, parece que achei a treta campeã: instalar internet
da Oi. Acredito que ver o Pastor Feliciano e o grande deputado Jean Wyllys
declarando amizade eterna é mais provável do que resolver qualquer coisa junto
à Oi sem ter um infarto antes. Não tenho dúvidas que a paz entre as Coreias é
fichinha perto do trabalho homérico que é tentar conversar com a Oi.
Estou morando na zona rural de Goiânia. Não tenho a gama de
possibilidades e serviços dos bairros mais adensados. Tudo certo. Morar no mato
tem seus custos e eu estava ciente disso quando fiz essa opção de vida. A única
empresa que oferece serviço de telefonia e internet é a Oi. Para melhorar no
preço, fechei um combo de telefone fixo, internet de incrível 1 mega (o teto
possível do local) e televisão paga. O telefone atrasou um pouco, mas rolou. A
TV foi dentro do prazo. A internet até hoje é lenda. O pedido foi feito dia 21
de fevereiro. Fiz o terceiro registro de reclamação na Anatel há poucos minutos.
E nada de resolverem meu problema.
Ficar na mão desse povo é a materialização do sentimento de
impotência. Não estou pedindo nada de absurdo, só quero o direito de ser
cliente dos caras. Se tivesse alternativa, já teria partido para outra
prestadora de serviço. O problema é que não existe um plano B. Me sinto na
Alemanha Oriental antes da queda do Muro de Berlim. Resumindo: ou eles resolvem
e liberam minha internet, ou fico sem o serviço. Legal demais, não é?
Já me ligaram três vezes garantindo que o bendito modem
chegaria “amanhã”. Parece aquele cartaz de boteco: “Fiado só amanhã”. Esse amanhã
que nunca chega. Enquanto isso, nada de navegar pelos lados de minha casa. Já
tentei roubar Wi-Fi dos meus vizinhos. Mas eles não são solidários. Todos têm
senha. Que o reino dos céus seja garantido só para aqueles que não bloqueiam
seu wireless. Tenho certeza que Madre Teresa de Calcutá não colocaria senha em
sua internet. Mas nem tenho moral para reclamar: sempre tranco minha Wi-Fi
também. Sou qualquer coisa, menos um santo encarnado andando pela Terra.
Enquanto a Oi não pratica esse ato de bondade e instala essa
porcaria, sigo como um mendigo em todo e qualquer lugar que chegou: “Por favor,
você tem internet wireless aqui? Pode me passar a senha, por favor?”.