A Redação
Hélio dos Anjos não é mais técnico do Vila Nova. Em reunião durante a manhã e a tarde desta quarta-feira, com a direção do clube, o treinador aifrmou estar sem clima e irredutível quanto à continuação à frente do Tigre.
"Ele nos comunicou na madrugada de terça para quarta-feira e ficamos a manhã e a tarde de hoje tentando removê-lo da ideia", afirma o diretor de futebol colorado Fabrini Canedo, que se reuniu com Hélio, além de Daniel Reis, diretor da New Ville Sports. Sizenando Ferro, presidente da New Ville, não participou das reuniões pois encontrava-se em Palmas (TO).
"Para a gente, o Hélio disse que não tem mais clima e que o elenco não o responde mais" afirma Fabrini, que logo emenda. "Olha, outras mudanças vão acontecer, no elenco. Não vamos jogar a toalha por que o projeto não está perdido", diz o diretor, sem especificar quais jogadores podem ser desligados.
Depois de comandar o Vila Nova por 40 dias no início do ano, somando seis rodadas no Goianão, Hélio deixou o clube e foi para o Sport. O Tigre passou em seguida pela batuta de Antônio Carlos Zago, Edimar Vasconcelos (interino), Heron Ferreira, e retornou para Hélio dos Anjos, no dia 26 de junho, pouco antes da 8ª rodada da Série B. Na ocasião, o Vila Nova ocupava a 13ª posição, com 8 pontos.
Já sob a supervisão de Hélio dos Anjos, que acompanhou a equipe do banco, o Tigre venceu o Guarani, fora de casa, por 1 a 0, e deu a entender que novos ares viriam. Mas da 8ª rodada até a 16ª, culminando no empate em casa por 1 a 1 contra o lanterna Duque de Caixas, o Colorado não engrenou. Foram 9 jogos, com 3 vitórias, 3 empates e 3 derrotas (veja relação abaixo) . Dos 27 pontos disputados, faturou apenas 12 (aproveitamento de 44,44%).
Hélio deixa agora o clube com 20 pontos, na 14ª colocação, podendo se aproximar ainda mais da faixa de rebaixamento com os demais jogos da rodada, que se encerra na sexta-feira. Fabrini explicou que, como foi o técnico que pediu para sair, a multa rescisória de R$ 500 mil foi negociada. "Ainda não temos um nome (para substituí-lo). Esperamos o Sizenando voltar, nesta quinta-feira, para trabalharmos em cima disso", disse Fabrini Canedo.
Caso não haja a definição de um novo técnico até a próxima rodada, contra a Portuguesa, terça-feira (16/08), fora de casa, o Vila Nova volta a ser comandado pelo auxiliar técnico Edimar Vasconcelos. Foi Edimar quem assumiu interinamente a equipe nas quatro rodadas finais do Goianão, depois da saída de Zago, além dos dois jogos da semifinal, em que o Tigre caiu frente ao Goiás. A sequência do Vila na Série B não é nada amistosa e depois da Portuguesa, o colorado encara, no Serra Dourada, o Americana e em seguida o Sport, na Ilha do Retiro.
Confira os jogos de Hélio dos Anjos como técnico do Vila Nova na Série B do Brasileirão: (9J – 3V, 3E, 3D)
Guarani 0 x 1 Vila Nova
Vila Nova 1 x 2 Icasa
Vila Nova 2 x 0 São Caetano
Paraná 2 x 1 Vila Nova
Vila Nova 0 x 0 Náutico
Grêmio Barueri 1 x 0 Vila Nova
Vila Nova 1 x 0 Salgueiro
Goiás 1 x 1 Vila Nova
Vila Nova 1 x 1 Duque de Caxias
Hélio desabafa depois de empate contra Duque
Logo depois do jogo contra o Duque de Caxias, na terça-feira, com empate por 1 a 1, o técnico colorado Hélio dos Anjos concedeu entrevista coletiva em que deu claras mostras de que poderia deixar o time a qualquer momento. Um pouco controverso, Hélio não tirou a razão do torcedor de chamá-lo de burro. “Ele tem motivos, por que não jogamos nada. Tivemos sorte de ser o Duque de Caxias por que se fosse um time mais levinho teríamos levado 3 ou 4 facilmente”, disse o técnico.
Mas também lamentou. "Não tenho estrutura psicológica para disputar 14ª, 15ª posição de uma Série B. Eu estou insatisfeito, e quanto estou insatisfeito eu não meço consequências. Nada me segura. Nesses 40 dias aqui já recebi proposta para voltar para um time pela sexta vez. Então volto para casa, coloco a cabeça no travesseiro e penso: não preciso ficar sendo chamado de burro”, afirmou.
O técnico refutou qualquer contato do Atlético-GO e disse também que estava preocupado com a sequência que o time terá pela frente. “Se fosse o Americana aqui hoje tinhamos perdido feio”, calcula. “Saí sufocado do último jogo por que fizemos uma partida belíssima e empatamos. Agora saio sufocado por que não jogamos nada. Uma gangorra assim não é ideal para nenhum técnico”, revela.
Hélio mostrou também contrariedade diante de uma perda interna, da comissão técnica. "Ontem (segunda-feira) saí do clube completamente arrasado com a perda do André (Araújo, fisiologista), contratado pelo Goiás. Um belo profissional, da casa. Mas hoje (terça-feira), o clima estava bem, isso até tomarmos o primeiro gol e desestabilizar. E eu não posso deixar um gol aos 3 minutos desestabilizar os outros 90 minutos”, afirmou o técnico.