O prefeito Paulo Garcia não segurou a onda, recuou perante a gritaria equivocada e garantiu a permanência da excrescência. Tsc, tsc… Vacilo, vacilo, vacilo… Não há nada que justifique a existência dessa infame decoração. Nada. Tenho preguiça de repetir os argumentos que já listei no texto do ano passado, mas preciso fazê-lo. É indefensável sob o aspecto da sustentabilidade. Mesmo que as luzes sejam de material que gasta menos energia, elas continuam gastando. E, cá entre nós, se existe algo que não necessitamos é de gasto de energia desnecessário.
É indefensável sob o ponto de vista econômico. Não são as luzes que garantem movimento extra ao comércio no final do ano. Isso se chama 13º salário, não decoração natalina. É indefensável sob a perspectiva do horário de verão. Afinal, somos submetidos a essa maldita mudança nos ponteiros do relógio para tentar uma alternância no horário de pico de consumo energético, mas acendemos luzinhas ridículas em todo País. É indefensável sob o olhar estético. Vem cá, tem algo mais brega do que luz piscando na sua cara?
Está na hora de sermos mais racionais no trato com o Natal. Se os shoppings querem entulhar nossos olhares com esse mau gosto, temos a opção de não frequentar aquele ambiente. Além disso, cada um gasta sua grana como bem entende.Os centros comerciais são da iniciativa privada. Mas quando estamos falando do ente público, a noção deve ser outra. Devemos ser mais zelosos e prudentes. Não dá para ficar torrando grana com isso. Questão de prioridade.
Entenda que não sou contra a decoração de Natal. Faz parte de nossa cultura e raiz é coisa séria, deve ser respeitada. Sou contra as luzes, especificamente. Não dá para aguentar é o desperdício de energia elétrica. Além de cafonas, as luzes brilham em excesso, ofuscam, inebriam e agridem o meio ambiente. Dá para fazer uma bela decoração natalina sem ser tosco, sem nos cegar com tanta luz. Já ouviram falar em poluição visual? Não há exemplo mais apropriado para ilustrar o termo do que a Tamandaré em dezembro.
Triste que não será dessa vez que teremos um Natal mais sóbrio. Chegamos perto, mas ainda não foi. Uma pena.