Logo
Plano Clima é aprovado para orientar políticas no país até 2035. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Plano Clima é aprovado para orientar políticas no país até 2035

Estratégias de mitigação e adaptação fazem parte da proposta

16.12.2025 - 19:42:59
WhatsAppFacebookLinkedInX

Brasília – O Plano Clima foi aprovado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) na última segunda-feira (15/12) e deverá começar a valer nos próximos dias, com a publicação no Diário Oficial da União. Além das Estratégias Nacionais de Mitigação (ENM) e Adaptação (ENA), a proposta reúne ainda planejamentos setoriais.

“O Plano Clima é um orientador desse conjunto de ações. Quando a gente fala de adaptação a essa nova realidade, ele traz isso na forma de 16 agendas de trabalho. E tem o outro lado, de como a gente enfrenta o problema na sua causa, de como a gente reduz emissões, que traz 8 agendas na forma de planos setoriais”, explica secretário nacional de mudança do clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Aloisio Lopes de Melo.

Na prática, são iniciativas a serem adotadas no país até 2035 pelos setores público e privado, para que o Brasil consiga, ao mesmo tempo, contribuir para que o aquecimento global não ultrapasse 1,5 °C e também se preparar para os impactos dessa nova temperatura, como chuvas e secas extremas.

“Ele orienta o conjunto de atores, como municípios, por exemplo, para terem um desenvolvimento urbano mais sustentável, seja no sentido de ter mais mobilidade pública, com modais coletivos, com avanço na eletriticação dos transportes, uso de biocombustíveis, e na organização da mobilidade urbana no sentido de ter cidades menos dependentes de combustíveis fósseis, cidades mais sustentáveis”, diz o secretário.

Segundo de Melo, é um plano que vai além de políticas públicas a serem implementadas pelo governo federal e subnacionais, já que orientará também os setores econômicos do país.

“Por exemplo, o Plano Clima estabelece mecanismos para aumentar a oferta de recursos de financiamento para os investimentos em atividade de baixo carbono, para que o setor privado possa olhar para essas prioridades, entender quais são as principais inovações e eixos de atuações e possa orientar sua atividade e seus investimentos para essa finalidade”, detalha.

Nações Unidas
Em complementação à meta para redução de emissões de gases do efeito estufa (NDC, na sigla em inglês) apresentada pelo Brasil ao secretariado da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) em novembro de 2024, o governo entregará também o Plano Clima como um mapa do caminho para o cumprimento da redução de 59% até 67%, em 2035.

Para o secretário do MMA, a Estratégia Nacional de Adaptação (ENA), na perspectiva global, é uma inovação que servirá de exemplo a outros países. “Vai servir como referência e ajudar nesse debate internacional e nesse desafio que todos os países têm de conviver com a mudança do clima, fazendo com que ela não afete os seus processos de desenvolvimento social e econômico”, diz.

Desafios
Com participação social ativa em todo o processo de construção, o plano foi permeado pelo olhar de organizações da sociedade civil, como o Instituto Talanoa, dedicado a estudar e construir políticas climáticas. Para a especialista sênior da organização, Marta Salomon, o Plano Clima é a grande espinha dorsal da política climática brasileira, resultante de um profundo esforço iniciado em 2023.

“O que está diante de nós agora como grande desafio é exatamente implementar aquilo que foi definido nesse grande acordo. Teve uma série de consultas públicas, de oficinas, de debates para construir isso que foi aprovado ontem no CIM”, diz.

Na avaliação de Marta, ainda há questões a serem superadas, como como a ausência de ambição para a transição definitiva da estrutura econômica brasileira para longe dos combustíveis fósseis.

“Tem problemas que a própria mudança climática impõe, como falta de chuva para gerar energia hidrelétrica. Então, isso vai ter um impacto no percentual de renovabilidade da matriz elétrica. Nesse sentido, a gente sentiu falta de o Plano Clima expressar o afastamento do uso de combustíveis fósseis”, exemplifica.

Para o assessor de políticas públicas da rede de organizações ambientais Observatório do Clima, Fábio Ishisaki, esse detalhamento deveria constar minimamente nos planos setoriais de energia e da indústria.

“No setor de energia, tem incentivos para adoção de renováveis, mas o principal que é você não utilizar mais os fósseis, você não fomentar novas frentes de exploração, isso realmente nós não conseguimos identificar. Da mesma forma, na indústria é utilizado o gás fóssil como uma fonte de energia de transição, o que para nós também não é aderente para o compromisso de descarbonização”, diz.

O tema foi amplamente defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro, na cidade de Belém (PA), e também foi acordado no documento final da COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes, como um aperfeiçoamento do Acordo de Paris, no qual os países se comprometeram a conter o aquecimento global.

Durante a COP em Belém, o tema foi retomado e, apesar de não atingir o consenso final, teve o comprometimento governamental de construção de um caminho que viabilize essa transição. “O mapa do caminho e essa transição para longe dos fósseis, ainda que o Brasil tenha uma matriz energética limpa e uma matriz elétrica limpíssima, a gente precisa ter no Plano Clima”, reforça Marta.

Legislação
Para a especialista sênior, outro ponto que merece atenção é uma fragilidade quanto à aprovação de um projeto de lei que institucionalize o Plano Clima.

“O desafio é gigantesco, porque a gente não tem o Plano Clima institucionalizado como uma lei. Então, dependendo do cenário eleitoral de 2026, o Plano Clima está sob risco de um próximo governo não comprometido com a causa climática, como o atual governo é, simplesmente transformar isso em pó”, diz Marta.

Para Ishisaki, esse ponto é superado pelo atrelamento das políticas públicas integrantes do Plano Clima serem vinculadas a legislações específicas, assim como o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, do Acordo de Paris como um ato normativo supralegal. “O Acordo de Paris está naquele patamar entre a lei e a Constituição Federal, que é a nossa lei máxima, nossa norma máxima”, destaca.

Recursos
Na avaliação do Observatório do Clima, há uma outra lacuna a ser preenchida, que é a do custo total de implementação, apesar de haver descritivos de fontes como fundos, recursos públicos ou privados. “Se você não tem o dinheiro necessário e não sabe de onde você vai ter que tirar esse dinheiro, acaba travando, na verdade, todo o caminho para se implementar e efetivar as medidas do Plano Clima”, conclui. (Agência Brasil)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Michelle Rabello

*

Postagens Relacionadas
Infraestrutura
28.02.2026
Caiado e Daniel Vilela inauguram duplicação do Anel Viário do Daia em Anápolis

A Redação Goiânia – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o vice-governador Daniel Vilela inauguraram, neste sábado (28/2), a duplicação, reabilitação e adequação do Anel Viário do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). A obra amplia a capacidade do trecho de 7,98 quilômetros que conecta a GO-330 a BR-060 e reforça a infraestrutura de um […]

Eletricidade
28.02.2026
Empresário é preso por furto de energia no Jardim da Luz em Goiânia

A Redação Goiânia – Um empresário foi preso em flagrante na noite de quinta-feira (26/2) por furto de energia elétrica no Jardim da Luz, em Goiânia. A prisão ocorreu durante uma operação conjunta da Equatorial Goiás com a Polícia Civil. A operação teve início após equipes técnicas identificarem inconsistências no padrão de consumo de energia […]

Trânsito
28.02.2026
Mabel lança força-tarefa de sinalização viária em Goiânia

A Redação Goiânia – O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, lançou, neste sábado (28/2), no Setor Pedro Ludovico, a primeira frente de serviço para recomposição emergencial da sinalização viária na capital. A força-tarefa percorrerá todos os bairros de Goiânia e vias recém-recapeadas, restabelecendo a regulamentação viária e reduzindo riscos à população. “Segurança viária é prioridade […]

Rodovias
28.02.2026
Carro sai da pista e capota na GO-217 em Piracanjuba

A Redação Goiânia – Um homem de 31 anos teve cortes, escoriações e outros ferimentos leves após sair da pista e capotar na GO-217, em Piracanjuba, na manhã deste sábado (28/2). A vítima foi resgatada por equipes do Corpo de Bombeiros a cerca de 20 km do município. No local, a equipe encontrou o motorista […]

Entre Ouro Verde e Petrolina
28.02.2026
Três pessoas ficam feridos após caminhonete capotar na GO-330

A Redação Goiânia – Três pessoas ficaram feridas após uma caminhonete sair da pista e capotar na GO-330, entre os municípios de Ouro Verde de Goiás e Petrolina de Goiás, na manhã deste sábado (28/2). O acidente aconteceu por volta das 6h34, no km 343 da rodovia, na zona rural de Ouro Verde. De acordo com […]

internacional
28.02.2026
Companhias aéreas suspendem voos para o Oriente Médio após ataques ao Irã e resposta militar do país

São Paulo – As empresas aéreas Qatar Airways, Turkish Airlines e British Airways cancelaram voos na região do Oriente Médio, em meio a trocas de ataques entre os Estados Unidos e o Irã. A Qatar Airways afirmou que está suspendendo temporariamente os voos em seu hub em Doha devido ao fechamento do espaço aéreo do […]

Internacional
28.02.2026
Trump pede que iranianos assumam o governo e alerta para ‘morte certa’ de quem resistir

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 28, que o país iniciou uma “operação ampla e contínua” contra o regime iraniano e alertou que Teerã “deve abaixar as armas ou enfrentar uma morte certa”. As declarações foram feitas em um vídeo de oito minutos divulgado após o anúncio dos […]

Advocacia
28.02.2026
Curso “Psicanálise e Direito: Interlocuções” será realizado na sede da ESA/GO

A Redação Goiânia – Será realizado na Escola Superior de Advocacia de Goiás (ESA/GO), em Goiânia, o curso “Psicanálise e Direito: Interlocuções”. A programação, precisa para dia 26 de março, começa a partir das 19h. As inscrições podem ser feitas no site da Escola. A proposta é promover o diálogo entre duas áreas fundamentais do […]